JG de Araújo Jorge

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Liberdade

 

 

A liberdade é o meu clarim de guerra

e eu sou, no meu viver amplo e sem véus,

como os caminhos soltos pela terra,

como os pássaros livres pelos céus.

 

Ela é o sol dos caminhos ! Ela é o ar

que os enche os pulmões, é o movimento,

traz num corpo irrequieto como o mar

uma alma errante e boêmia como o vento.

 

Minha crença, meu Deus, minha bandeira,

razão mesma de ser do meu destino,

há de ser a palavra derradeira

que há de aflorar-me aos lábios como um hino.

 

Liberdade: Alavanca de montanhas!

Aureolada de louros ou de espinhos

há de cingir-me a fronte nas campanhas,

há de ferir-me os pés pelos caminhos.

 

Sinto-a viva em meu sangue palpitando

seja utopia ou seja ideal, – que importa?

Quero viver por esse ideal lutando,

quero morrer se essa utopia é morta !

 JG de Araujo Jorge

(do livro O Canto da Terra – 1945)

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