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09/01/1948 – Parlamentares eleitos pelo PCB são cassados

 

 

A Câmara dos Deputados aprovou a cassação dos mandatos dos parlamentares comunistas por 169 votos contra 74. O pedido de cassação foi feito pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) sob a alegação de que os representantes eleitos pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB) estavam sem partido, já que a ilegalidade da agremiação partidária havia sido decretada um ano antes.

 

Essa medida fora tomada pelo Supremo Tribunal Federal, baseado no texto constitucional, que proibia a existência de partido político contrário ao regime democrático e à pluralidade partidária, e que não garantisse os direitos fundamentais do homem.

 

Naquele mesmo dia, o Ministério do Trabalho decretou a intervenção em vários sindicatos e fechou a Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT) criada pelo movimento sindical em 1946 e que não era reconhecida oficialmente pelo governo. Os comunistas tentaram organizar uma nova agremiação partidária, o Partido Popular Progressista (PPP), incorporando as teses centrais do PCB, mas o registro foi negado.

 

As perseguições aconteceram em consequencia da tomada de posição do Brasil a favor dos Estados Unidos e contra União Soviética na Guerra Fria, conflito ideológico polarizado pelas duas potências a partir do final da Segunda Guerra Mundial.

 

O senador Luiz Carlos Prestes e a bancada comunista haviam assinado a Constituição em setembro de 46. Sob o impacto da cassação, o PCB lançou um manifesto pregando a derrubada imediata do governo Dutra, considerado um governo “antidemocrático”, de “traição nacional” e “a serviço do imperialismo norte-americano”.

 

O ministro da Justiça declarou que a ordem continuava inalterada e desmentiu rumores de distúrbios no Sul do país, próximo à fronteira.

 

Votação expressiva nas eleições de 1945

 

O Partido Comunista Brasileiro (PCB) atingiu quando estava na legalidade, em 1945, a maior expansão de sua história e chegou a ter mais de 100 mil filiados. Nas eleições realizadas para a Presidência da República e para a Assembléia Nacional Constituinte naquele ano, o PCB obteve 10% da votação nacional e, num universo de 320 parlamentares, elegeu 15 deputados federais e o senador Luís Carlos Prestes, que foi o segundo mais votado no país.

 

A votação de Prestes só foi suplantada pela de Getúlio Vargas. O PCB tornou-se a quarta força eleitoral, atrás do Partido Social Democrático (PSD), da União Democrática Nacional (UDN) e do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).

 

Fonte: JB/Fatos Históricos

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