História – há 47 anos…

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25/08/1961 – A renúncia de Jânio Quadros

“Nesta hora de grave crise
e de perigos incontáveis,
cabe a todos os brasileiros
a tarefa de se empenharem
na preservação da unidade nacional
e das instituições democráticas.
A renúncia do Presidente Jânio Quadros
causou profunda inquietação
ao povo inteiro,
paralisou a administração,
obrigou as Forças Armadas
a se colocarem de prontidão,
fez com que os governos estaduais
adotassem medidas de precaução,
pôs o Poder nas mãos
do Presidente da Câmara
e deixou o Brasil numa situação tal
que ninguém pode esconder
o temor que todos sentimos
de que a própria Nação
pode perder-se ou descrer de si mesma”.
Jornal do Brasil

A efêmera presidência de Jânio Quadros foi marcada por polêmicos mandos e desmandos: a tentativa de reaproximação com a URSS e a China, a nomeação de um embaixador negro para a África, a recusa de apoio aos americanos na expulsão de Cuba da OEA, e ainda a proibição de rinhas de galo e de maiôs cavados, causaram perplexidade entre o povo e as elites.

O desfecho dessa gestão não seria menos surpreendente. Jânio renunciou ao cargo quando o vice, João Goulart, se encontrava em visita oficial à China. A ausência de Jango abriu margem para que o presidente da Câmara, Ranieri Mazzili, assumisse provisoriamente o governo. Até hoje se especula sobre os reais motivos da renúncia.

O mais lógico é a de que se tratou de uma manobra estratégica. Sem maioria no Congresso, e ciente do desconforto entre Jango e os militares, renunciara na expectativa que o Parlamento lhe oferecesse liberdade governamental, e de que contaria também com o apoio do exército. O Congresso, contudo, aceitou prontamente sua renúncia eclodindo uma crise política que culminaria, anos mais tarde, no Golpe Militar. Ninguém ofereceu lição maior de esperança e desilusão ao povo brasileiro.

Surpreendente e polêmico do início ao fim

Jânio Quadros assumiu a Presidência da República a 31 de janeiro. Contrariando a expectativa geral, em seu discurso de posse foi discreto e gentil, chegando mesmo a tecer elogios ao governo anterior. Na mesma noite porem, surpreendeu a todos.

No seu pronunciamento em rede nacional atacou violentamente o governo JK, acusando o ex-presidente de nepotismo e inoperância administrativa, responsabilizando-o pelo descontrole inflacionário e pela galopante dívida externa.

Era o primeiro de tantos episódios histriônicos que ensaiaria na sua turbulenta trajetória de 209 dias à frente do poder máximo do país.

Fonte: CPDOC/JB

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