Guilherme Fiúza comenta

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Bolsa eleição

Esqueçam as mais de 100 mil pessoas beneficiadas pelo Bolsa Família que têm carros, tratores ou motos importadas, como informou o TCU. Esqueçam as mais de 1 milhão que recebem a mesada governamental tendo renda acima do permitido.

Concentrem-se apenas nos 577 políticos eleitos que recebem o Bolsa Família. Repetindo: eleitos. Não-eleitos são milhares.

O Brasil tem 513 deputados federais e 81 senadores. Portanto, faltam só 17 bolsas família para os políticos que recebem a caridade de Lula encherem um Congresso Nacional inteiro.

Não dá para entender por que o governo popular sofreu aquele desgaste todo com o mensalão. Bastava o Ministério do Desenvolvimento Social (entenderam por que é Social, e não de serviço?) divulgar uma portaria com a seguinte regra: só receberão Bolsa Família os políticos eleitos para a Câmara dos Deputados e para o Senado Federal, e que votem com o governo.

Não teria erro. Seria a base parlamentar mais coesa da história. O nosso Delúbio nem precisaria se estressar com aquela complicação de mandar gerente de banco ficar pagando o pessoal na boca do caixa. Seria tudo certinho, direto na conta de cada um.

Claro que alguns iam reclamar que o dinheiro é pouco. Mas e a honra de ser um bolsista da família Lula? Isso não tem preço.

Enquanto não se faz essa correção de rumo, vem aí para votação o projeto do financiamento público de campanhas. Já estava na hora. As mesadas dos lobistas de empreiteira estão indo embora com as despesas com ex-mulheres e amantes, que nunca estão satisfeitas.

Você vai ter que contribuir só um pouquinho mais para um fundo de uns 2 bilhões de reais, que irão limpos para os galhardetes, marqueteiros e demais badulaques dos candidatos. O caixa dois passa a atender só aos favores informais e rolos pessoais — o que, afinal, faz sentido.

No futuro, porém, isso se tornará obsoleto, a confirmar-se a formidável expansão do Bolsa Família para a classe política. E os 577 eleitos de hoje serão só uma pálida memória de como a sociedade era injusta com os representantes do povo.

Guilherme Fiúza é jornalista

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