EXTRATO
Nunca é demais falar de Dercy Gonçalves
Depois de mais de um século de vida e de 85 anos nos palcos e nas telas, Dercy Gonçalves viajou para a eternidade. Foi uma atriz extraordinária que pertence ao universo da representação livre e descontraída, durante uma época desafiadora de conceitos e barreiras. Brilhava no teatro de revista. Até que seu grande talento, agressivo e dinâmico, foi descoberto pelo diretor Anselmo Duarte, há uns cinqüenta anos, no filme “Este milhão é eu”.
Nesse ponto foi que seu desempenho vibrante e versátil passou a ser visto através de uma lente melhor. Para o teatro, para o cinema brasileiro, para a televisão, foi uma presença mais importante do que possa se considerar à primeira vista. Ela, no fundo, viveu abraçada ao palco e à arte. Disse que fazia parte do universo natural, espontâneo, intuitivo, de representar o papel de si mesma, assim escrevendo sua própria história.
Revelou sua visão ao falar de Fernanda Montenegro, Cleide Iáconis, Marília Pêra, Grande Otelo. Definições precisas de grande percepção. Os entrevistadores perguntaram: “E Grande Otelo na comédia?” Ela respondeu: “Grande Otelo nunca foi comediante. Ele foi um ator dramático na comédia”. Não esqueço esta bela e clara frase no adeus a Dercy Gonçalves.
Pedro do Coutto, jornalista
Comentários Recentes