Espúria é a…

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Na aliança entre Lula, Collor e Sarney – a cara do Brasil moderno –, sobrou para o senador Aloísio Mercadante mais uma vez o papel de bobo.

 

Sarney é um deus para Lula. Pode parecer estranho, mas em psicanálise é muito simples. Quando o negócio do ex-operário era jogar pedra em vidraça, o imperador maranhense era presidente da República – sonho de consumo de Lula. Um dia ele chegaria lá. Um dia ele seria igual a Sarney, como um filho quer ser igual ao pai.

 

Eleito presidente, Lula imediatamente foi beijar a mão de Sarney. E não escondeu isso de ninguém.

 

É uma história bonita, que agora se completa com a entrada de Collor em cena. Lula também nunca escondeu de ninguém que chegar à presidência foi para ele um final feliz. Governar era sobremesa – e ele já estava empanturrado. Além da bênção de Sarney, a presidência como ascensão social o colocava finalmente na mesma casta de Collor.

 

Agora o clube está completo. A figura paternal de Sarney deixa Lula seguro, daí seu pacto de sangue com Renan Calheiros, aliado do dono do Maranhão. Nem mesada de lobista de empreiteira para ex-amante é capaz de abalar essa base política.

 

Ao botar Sarney de novo na presidência do Senado, Lula ressuscitou Renan Calheiros e prometeu ressurreição a Collor. De quebra, reconciliou a dupla alagoana que fez história na era PC Farias. Um enredo comovente.

 

A eleição de Collor para a presidência da comissão de infra-estrutura do Senado é apenas o cumprimento desse script. Aí vem Aloísio Mercadante denunciar uma aliança espúria entre os dois capetas alagoanos… O PT continua candidato ao papel de virgem no baixo meretrício.

 

Mas a resposta de Collor, no seu estilo inesquecível, veio salvar o Brasil de mais um conto de fadas petista: “Espúria é a…”

 

Bravo. Chega de intolerância na casa de tolerância.

 

Escrito por: Guilherme Fiúza, jornalista

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