Em jogo, o destino do mandato de Paulinho
Está em curso a reunião do Conselho de Ética da Câmara para tratar do caso em que o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) é acusado de desviar dinheiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Há pouco o relator do processo, Paulo Piau (PMDB-MG), começou a ler seu voto favorável à cassação do deputado por abuso de prerrogativa parlamentar e obtenção de vantagem indevida. Sua decisão se baseia no relatório da Operação Santa Tereza, da Polícia Federal, que desbaratou o esquema supostamente encabeçado por Paulinho.
A ação contra Paulinho foi movida pelo PSOL. O deputado preferiu se ausentar da reunião do Conselho de Ética, que ocorre no plenário 10 da Câmara.
Durante a investigação da PF foram encontradas anotações que apontam Paulinho como o beneficiário do esquema de desvio de dinheiro. Sobre isso, ainda em julho deste ano, o deputado se defendeu na Câmara dizendo que “não há cópias dos tais cheques [que ele teria recebido como resultado do esquema]. Nem das alardeadas anotações. Nem de extratos bancários ou documentos equivalentes que retratem o caminho e a destinação dos referidos títulos”.
Poucos dias depois do caso ter se tornado público, a PF flagrou conversas telefônicas entre Paulinho e outros investigados pela operação nas quais eles discutiam formas de “desqualificar” o processo.
A defesa de Paulinho alega que o próprio BNDES apresentou uma auditoria em que descarta qualquer chance de ter havido interferência dele ou de qualquer outra pessoa em empréstimos concedidos pelo banco a prefeituras. Há pouco, o advogado de defesa do deputado, Leônidas Ribeiro Scholz, pediu o arquivamento da denúncia sob o argumento de que a acusação se baseia apenas em matérias de jornais: “Não há cheque, não há transferência eletrônica nem doc das organizações não governamentais para Paulinho. Não há prova nenhuma de envolvimento de Paulo Pereira que caracterize tráfico de influência dele no BNDES”, finalizou.
Se o Conselho de Ética decidir cassar o mandato de Paulinho, o caso ainda terá que passar pelo plenário da Câmara. Se por lá o resultado também for a favor da cassação, o deputado do PDT se tornará inelegível até 2018.
Fonte: Noblat
Comentários Recentes