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Militares ignoram aviões que decolam de terras ianomâmis

 

Os recentes alertas feitos por autoridades militares da Amazônia sobre o risco que as áreas indígenas representam para a segurança do País, especialmente na fronteira amazônica, não encontram respaldo nos fatos. O discurso militar é ideológico e foge da questão principal: a permanente invasão das terras indígenas pelo garimpo ilegal. Essa é a opinião do missionário católico Carlo Zacquini, italiano de origem, que viveu durante 45 anos entre os índios ianomâmis e hoje coordena a Pastoral Indigenista da Diocese de Roraima.

 

“Os militares falam do risco das ONGs internacionais, mas ignoram os aviões que pousam e decolam – todos os dias – de pistas clandestinas rasgadas no meio das terras dos ianomâmis em Roraima”, diz o religioso.

 

Ligado à congregação Missionários da Consolata, Zacquini é admirado entre os índios e respeitado entre estudiosos da questão indígena no País e no exterior. Brigou nos anos 80 pela criação da Terra Indígena Ianomâmi – homologada em 1992 pelo presidente Fernando Collor de Mello, com uma área de 96.650 km2 – e, mais recentemente, envolveu-se com a disputa pela Raposa Serra do Sol, que está sendo julgada no STF.

 

Roldão Arruda, jornalista (Boa Vista/Roraima)

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