De novo: Lula se queixa da imprensa

Comentários desativados em De novo: Lula se queixa da imprensa
Compartilhar

Em discurso para uma platéia de prefeitos, Lula queixou-se da imprensa em tom de rara irritação.

 

“Hoje, eu estou meio frustrado. Tem dia que a gente acorda virado. Se deixar um pingo de suor cair no copo, vira limonada”.

 

O humor do presidente azedou depois que leu, nos jornais do dia, as reportagens sobre o megaencontro com os prefeitos.

 

“Fiquei triste como leitor”, disse Lula no discurso. “Estão abusando da minha inteligência”.

 

Dois tópicos do noticiário deixaram Lula especialmente abespinhado:

 

1. “Disseram que esse ato é para promover a dona Dilma Rousseff”;

 

2. “Disseram que eu ia fazer fazer um pacote da bondade [para os prefeitos]. Um [jornal] foi mais longe […]. Disse que o presidente vai dar dinheiro até para prefeito bandido”.

 

Lula alteou a voz: “Ainda tem gente que pensa que o povo é marionete, é vaca de presépio, é comboio…”

 

“…Não percebem que o povo pensa com sua própia cabeça. Acabou o tempo em que alguém achava que podia interferir numa eleição porque é formador de opinião”.

 

No dizer do presidente, a imprensa é feita de “pessoas pequenas”. Afirmou que, de sua parte, não deve nada à mídia.

 

“Eu, graçass a Deus, na minha vida nunca tive bondade, nunca tive um favor, nunca […]. Fui eleito porque suei cada gota de suor…”

 

“Suei cada gota de lágrima nesse país, para enfrentar o preconceito, o ódio dos de cima com os de baixo”.

 

Antecipando-se às críticas, Lula disse que poderia ter silenciado sobre as “insinuações” da imprensa. “Presidente da República precisa ter postura”, disse, com ar desdenhoso.

 

E pespegou: “Eu posso perder minha postura, mas não perco a minha vergonha e o meu caráter…”

 

“…Não posso permitir insinuações grotescas com uma reunião que tem o objetivo de mudar o patamar das relações entre entes federados desse país”.

 

Sobre a notícia de que daria dinheiro até para prefeitos desonestos, Lula disse: “É fácil julgar as pessoas…”

 

“…Não deram sequer uma oportunidade para vocês [prefeitos] provarem que não são os ladrões que eles escrevem que vocês são…”.

 

“…Não deram nem um dia, vocês nem tomaram conta da máquina. Não é possível que a gente se cale diante de tamanha aberração”.

 

Antes, o próprio Lula lembrara que a platéia não era feita apenas de prfeitos noviços.

 

Nunca antes na história do Brasil foram reeleitos tantos prefeitos…”

 

“Cerca de 40% dos prefeitos foram reeleitos; 60% são novos. E desses 60%, cerca de 50% foram apoiados pelos prefeitos que deixaram o poder…”

 

“…Na verdade, quase 65% de todos os prefeitos foram reeleitos ou eleitos pelo antecessor.” Ou seja, já “tomaram conta da máquina”.

 

De resto, Lula explicou por que chamou os prefeitos a Brasília: “Queremos abrir as portas do governo federal…”

 

Queremos “…consolidar uma relação tão forte entre prefeito e União que nenhum governo que venha depois de nós tenha coragem de desmontar essa relação”.

 

Mencionou quatro problemas que o deixam “angustiado”: a mortalidade infantil, o analfabetismo, o subregistro de crianças recém-nascidas e o cronograma do PAC.

 

Sobre o PAC, Lula afirmou que o programa cresce de importância com a crise. Pediu empenho dos prefeitos no acompanhamento das obras.

 

Repisou a tecla de que o orçamento do programa não sofrerá cortes. “Nenhuma obra do PAC irá sofrer redução por conta da crise…”

 

“…Cortaremos o batom da dona Dilma, cortaremos o meu corte de unha, mas nenhuma obra do PAC, independentemente do tamanho, seja qual for, sofrerá corte”.

 

Espremendo-se as declarações de Lula, chega-se a uma dúvida e a um alívio.

 

Primeiro a dúvida: O batom de dona Dilma e a manicure do chefe dela são bancados pela Viúva?!?!?

 

Agora o alívio: dias atrás, Lula dissera à revista piauí que não lia jornais. Alegara que o noticiário lhe açulava a azia. Ao que parece, Sua Excelência voltou a correr os olhos pelas manchetes. Melhor assim.

Fonte: Josias de Souza, jornalista

 

 

 

Os comentários estão fechados.