Da arte de “triplipensar”
Abrimos aspas para Carlos Chagas, cada vez mais lúcido.
“A moda começou desde que o verbo “flexibilizar” virou palavrão, nos tempos do sociólogo, simples tapadeira para justificar a quebra de monopólios estatais ligados à soberania nacional. De lá para cá, sempre que um partido, um grupo ou até um indivíduo pretende enganar a opinião pública, “flexibilizam” o próprio pensamento. É o “duplipensar” do magistral e imperdível George Orwell, no livro “1984”.
Deu o PT o exemplo mais recente de dizer uma coisa e pretender outra, ou de pretender as duas e não dizer nenhuma. Pode ser, até mesmo, de apregoar duas soluções e estar empenhado numa terceira, em segredo. A nota oficial dos companheiros a respeito da sucessão presidencial de 2010 é um primor. Porque ao tempo em que afirma dever ser apresentada uma candidatura petista à sucessão de Lula, também fala numa ampla aliança partidária e social capaz de vencer as eleições, não necessariamente com candidato do partido, já que “a mensagem não é boa para quem quer construir alianças”.
Em suma, o candidato sairá do PT ou de outro partido da base. Na verdade, basta ter observado os cartazes que serviram de pano de fundo para a mesa principal do III Congresso Nacional, no fim de semana, para se chegar à evidência de que o partido não está só “duplipensando”, mas “triplipensando”. Ou “triplitramando”, porque calcado sobre o logotipo da estrela vermelha estava o número três. Seria uma homenagem à reunião que se realizava ou a lembrança de que diante de um impasse a solução estaria no terceiro mandato para Lula?
Quem quiser que conclua, mas a verdade é que quanto maior a confusão, maiores as chances da continuação do presidente no poder. Eleger-se, ele se elege outra vez, bastando mudar a Constituição, tantas vezes mudada. “
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