Criação de Supertele
Governo atropela a ordem dos fatores
Uma das coisas mais esquisitas do atual governo é esta criação da supertele. O governo resolveu aplicar nela uma lei da matemática, mas que na vida dos países e das regras regulatórias não deveria funcionar: a de que a ordem dos fatores não altera o produto. Para ser criada a Supertele, a Oi tem que comprar a Brasil Telecom.
Para que isso aconteça o governo tem que mudar o Plano Geral de Outorgas que proíbe que uma mesma tele tenha o controle da telefonia fixa em duas áreas. Aí, o governo avisou que ia mudar, e começou todos os procedimentos para alterar o PGO, apenas para atender a um grupo privado específico.
Uma inversão de ordem doida, porque o que tinha que acontecer era o governo fazer uma revisão do PGO em vários pontos que já caducaram e aí, diante das novas regras, os grupos eventualmente fariam seus negócios.
Mas para garantir que o negócio seja realmente feito, os grupos La Fonte e Andrade Guttierrez tinham que comprar as ações da OI que estavam na mão de quem? do Citibank, do Opportunity ( famoso Opportunity) e do GP Investimento. Porque isso acabaria com o cruzamento das ações.
E o BNDES abriu os cofres: dos R$ 2,9 bilhões necessários para o negócio, emprestou R$ 2,5 bilhões.
Esse empréstimo não cria um emprego sequer, mas o banco que tem seu funding do Fundo de Amparo ao Trabalhador empresta essa montanha de dinheiro mesmo antes (nova alteração da ordem dos fatores) de ser mudada o PGO. Detalhe é que um dos grupos beneficados com o empréstimo, porque vai embolsar parte do dinheiro, é exatamente o grupo em que os dirigentes estão todos sendo presos ou respondendo a processo por remessa ilegal, lavagem de dinheiro, suborno e outras mais.
Agora, outros grupos de telecomunicação estão também pedindo mudanças que lhes interessam nas regras do setor de telecomunicação. Assim o PGO vai sendo mudado por encomenda do setor privado e não pelo interesse do consumidor, ou pelo bom funcionamento do mercado, ou para atender à modernização do setor, esses sim os únicos fatores que permitiriam uma mudança no marco regulatório.
Fonte: Miriam Leitão
Comentários Recentes