Comentários de Miranda Sá_ n’ O METROPOLITANO de ontem (1º.out)

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Lula da Silva deu a palavra

Numa momentosa entrevista dada ao Estadão, o presidente Lula empenhou a sua palavra dizendo que não quer a reeleição que vem sendo articulada por setores do PT com os arrivistas e oportunistas que forma a chamada “base aliada”. Ele disse e está gravado, “Meu mandato termina no dia 31 de dezembro de 2010. Agradeço ao povo brasileiro o carinho que teve comigo e passo a faixa a outro presidente da República em 1º de janeiro de 2011”. Isto alivia um bocado os medrosos que, como eu, temem uma aventura golpista dos pelegos que se instalaram no poder com Lula e não têm escrúpulos para defender o continuísmo.

Mais do que ser continuísta, o luliusmo-petismo tem ensaiado um regime de exceção, com três tentativas frustradas para controlar e imprensa e disciplinar os jornalistas. As continuadas críticas à liberdade de imprensa dos dirigentes do PT-governo e do PT-partido representam esta expressão totalitária e não receberam até hoje uma admoestação do Presidente.

São por demais conhecidas a insegurança e a vacilação de Sua Excelência, quando se espera dele uma conduta de estadista. Ademais, perdoem-me os “intelectuais orgânicos” apelar para a História, Lula já negaceou a sua palavra mais de uma vez. Vamos fazer uma relação de mudanças de idéias e de opiniões? Basta listar os compromissos do discurso de posse do primeiro mandato; um deles foi de que manteria no Congresso uma relação institucional com os partidos, fugindo ao fisiologismo praticado pelos 300 picaretas – que tanto combateu quando estava na oposição. Na Presidência, deu no que deu, e veio desembocar agora no processo do mensalão julgado pelo STF.

Não estão apagadas da memória as inúmeras afirmações de Lula contrárias à reeleição, que veio aceitar depois contente da vida. É por isso que agora ao rechaçar a proposta de um terceiro mandato “mesmo se originária do povo” não dá para se acreditar nele. Ao escrever estes comentários para O Metropolitano que vai circular no sábado, dia 1º, profetizo que o 3º Congresso do PT que decorrerá no fim de semana, vai tratar do assunto.

“No bojo” da proposta de convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte exclusiva para a reforma política, virá inevitavelmente um projeto para a convocação de um plebiscito que se pronuncie sobre subseqüentes reeleições do mandato presidencial. Depois me falem. O “Trabalhador” aceitará humildemente a sugestão, indo ao sacrifício para defender os pobres contra as elites.

Tenho certeza que estas dúvidas e ilações não são apenas minhas. Se para muita gente tem essa suspeita, seria necessário da parte de Lula mais do que palavras – que lê usa com habilidade. Ele não deve repelir apenas a idéia de um novo mandato; tem que dizer não aceitá-la por reforma política, plebiscito ou exigência do “seu” partido. Se ele defende realmente a alternância de poder, dizendo que quem se julga indispensável é candidato a “ditadorzinho”, dirija-se especialmente aos seus agregados, deixando claro o seu repúdio ao continuísmo.

É uma atitude indispensável para afastar a cisma e a preocupação de quem acompanha e analisa a cena política. Além disso, deveria silenciar sobre a sua sucessão e os prováveis sucessores. Não é a hora adequada para deflagrar a campanha eleitoral, e sim o momento apropriado de observar e esperar com cuidado que as coisas aconteçam para não estimular o julgamento do seu compromisso. E mostrar que não é um homem de duas palavras.

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