Comentário (III)
Neopeleguismo galopante
O movimento sindical surgido no ABC paulista, que tinha como ponto de referência maior a figura carismática do metalúrgico Lula, era uma verdadeira revolução – que se tornou vitoriosa – contra o arraigado peleguismo da era Vargas. A forma como aquela figura, que se tornou presidente da República mantendo o carisma, tem conseguido amaciar as forças sindicais, atrelando-as novamente ao Estado pela cooptação de seus líderes e a concessão de polpudas benesses, tem sido mais do que uma simples ressurreição das chapas brancas sindicais do Estado Novo: tem sido a introdução, no sindicalismo nacional, de um neopeleguismo galopante, deslavado e ultrajante, pelo qual as consciências são arrematadas sem quaisquer disfarces – mesmo que esse arremate se possa iniciar por uma encenação semelhante à praticada ante a demissão, sem reação, dos 4.200 funcionários da Embraer.
Mauro Chaves, jornalista
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