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Algo se move

Demorou, mas aos três meses de crise ininterrupta no Congresso, começam a surgir na Câmara e no Senado os primeiros – não obstante ainda débeis – sinais de reação ao que já se desenhava como um programa de desmoralização voluntária.

Uma espécie de ciranda corporativista em que as mãos estendidas sujavam umas às outras.

Dois fatos parecem ter tido o condão de romper esse pacto macabro: na Câmara, a zombaria do relator do processo contra o deputado Edmar Moreira no Conselho de Ética e, no Senado, o depoimento do ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi, montado à imagem e semelhança de uma típica operação abafa.

O senador Artur Virgílio, líder do PSDB, denunciou de pronto: “Foi uma farsa. Você coloca chefiados para ouvir o chefe, e eles não fazem as perguntas que devem ser feitas.”

Apoiado pelos senadores Pedro Simon, Eduardo Suplicy, Cristovam Buarque e Mão Santa, Virgílio reagiu à ausência de um representante do Ministério Público no interrogatório conduzido pela Polícia Legislativa que nada perguntou a Zoghbi sobre a acusação de que ele e a mulher, Denise, usaram uma babá como laranja em empresas para contratos ilícitos com o Senado.

Dora Kramer, dora.kramer@grupoestado.com.br

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