Artigo saído n’ O Jornal de Hoje da 2ª feira

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Carimbando o 2º turno das eleições

 

 MIRANDA SÁ, jornalista

 www.mirandasa.com

 

            São cinco pólos metropolitanos que centralizam mais de 50% do eleitorado brasileiro: Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre, e em nenhuma dessas grandes concentrações de votos trouxe no 1º turno o resultado que o lulismo-petismo esperava.

 

            Por isto, o cenário destas cinco capitais precisa ser acompanhado e analisado. Vejamos a capital baiana. Ali, os soteropolitanos estão literalmente desmotivados. Os disputantes, Walter Pinheiro, petista, e João Henrique, do PMDB, são políticos medíocres e tão medíocres que ambos se dizem “prefeitos de Lula” e estão empatados.

 

            É tão vulgar a campanha dos baianos, que o maior percentual de votos em branco, 12%, demonstra o alto grau de rejeição ao duelo entre iguais. Tão iguais que a Bahia apelidou-os de “candidatos papel carbono”.

 

            Descendo de Salvador para o Sul, o quadro começa a se diferenciar. Nas Alterosas – sou do tempo em que nós, repórteres, chamávamos Belo Horizonte desta forma, enquanto os de lá davam-lhe um tratamento carinhoso, Belô.

 

            O poste nascido do casamento ilegítimo do governador Aécio com o presidente Lula, foi derrotado no 1º turno, surpreendendo os observadores da política mineira e assombrando e constrangendo o oficialismo.

 

            Apoiado federal, estadual e municipalmente, Márcio Lacerda perdeu para Leonardo Quintão, que se apresentou sem padrinhos, como “prefeito do povo”, e agora, nas projeções feitas por especialistas, Quintão passará dos 60 por cento dos votos válidos, e o poste de Lula e Aécio ficará nos 40%.

 

            Lá no Rio Grande do Sul, Porto Alegre retrata bem a reação dos gaúchos à centralização do poder. O desenho do partido único esboçado nas alianças ditas “de esquerda” não é do agrado dos porto-alegrenses. José Fogaça tem 16 pontos percentuais à frente da candidata do PT, Maria do Rosário, apelidada pela povo como “Cara de Alma”.  A projeção do resultado final dá 54% a Fogaça e 40% para Rosário.

 

            No Rio e em São Paulo, o embate está mais radicalizado, mostrando o desespero do lulismo-petismo, desprezado pela vontade popular. A disposição dos cariocas e paulistanos é derrotar os “postes” de Lula, Marta Suplicy e Eduardo Paes.

 

            Isto provoca uma reação em cadeia das coligações governistas translúcida, que se anula por si só. A aflição colérica de Marta ficou retratada nas peças de propaganda insinuando que o adversário, o prefeito Kassab, é gay. A sexóloga trocou se passado liberal por votos que apequenam sua imagem.

 

            Entre os cariocas, a baixaria ficou pari-passu com as práticas criminosas dos narcotraficantes e das milícias: panfletos apócrifos contra Fernando Gabeira saíram dos partidos apoiadores de Eduardo Paes. Mantendo a tradição, o povo carioca repudiou a distribuição dessa sujeira.

 

            É a consciência da derrota que dá o tom e a semelhança do esperneio do lulismo-petismo. O “toque peleguista” do Nosso Guia aparece claramente na panfletagem insidiosa do Rio de Janeiro e na invasão da privacidade do adversário em São Paulo.

 

            Para maior afirmação dos anseios democráticos do povo brasileiro, a baixaria do partido único na reta final do 2º turno provoca uma reversão das expectativas. Os métodos de conduta do peleguismo não produzem o mesmo efeito do assembleísmo sindical.

 

            Talvez por isso frações do sindicalismo adulterado apelem em São Paulo para a greve armada. É a solução final orientada pelas declarações arrevesadas de Lula da Silva afirmando que Marta sairia vitoriosa na eleição.

 

            Como sempre – quando não diz que não sabe de nada – Lula da Silva apresenta desmentidos. No caso da greve dos policiais paulistas, porém, é impossível negar a agitação feita por Paulinho da Força, pelo presidente do diretório municipal do PT e por vários dirigentes da CUT, cujas caras aparecem em filmagens de várias emissoras de televisão.

 

            As pesquisas que estão por vir mostrarão certamente se os eleitores cariocas e paulistanos aprovarão ou reprovarão a guerrilha amoral dos petistas e seus satélites.

 

            Em nome da democracias, da ética e moralidade públicas, espero a vitória da oposição espontânea do povo em Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio e São Paulo para jogar a última pá de cal nos sonhos continuístas do Pelegão.

 

 

 

 

 

 

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