Comentário de Míriam Leitão

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Meirelles & Mantega

Dados dos ministros não revogam os fatos

 

Os ministros Guido Mantega e Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, levaram apresentações ao Congresso em que mostram todos os bons dados do Brasil. Eles são verdadeiros, exceto por um ou outro número errado, mas não impediram que o risco Brasil subisse 117%, a Bovespa caisse 30% e o dólar subisse 37% nos últimos 50 dias.

 

O Brasil de fato aumentou as reservas e diminuiu a dívida em dólar interna e externamente. Internamente porque o mercado também não queria mais uma divida corrigida pelo câmbio quando o dólar estava caindo. Só que isso não faz a vulnerabilidade externa do Brasil cair a zero como o ministro Mantega disse. Se fosse zero o impacto aqui de problemas externos, o Brasil não teria tido uma queda tão forte no financiamento da exportação apenas pela crise externa de crédito.

 

O ministro Mantega acerta quando diz que da crise resultará, nesta segunda fase, “uma forte restrição de crédito e uma desalavancagem”. De fato haverá menos dinheiro para emprestar no mundo inteiro. A conclusão dele de que seremos apenas marginalmente afetados é que não combina com a análise.

 

Mantega disse que aqui os bancos não têm medo de emprestar para outros bancos; falta explicar então porque o BC teve que incentivar a compra de carteiras de bancos pequenos e médios e ele mesmo se dispôs a comprar para dar liquidez a esses bancos.

 

O ministro disse que o desemprego nos Estados Unidos está subindo e o nosso caindo. O deles subiu para 6% e o nosso está só um pouco abaixo de 8%. Mantega disse que a exportação do Brasil para a Europa e Estados Unidos caiu para 15% cada um. Para a Europa em 2007 o Brasil exportou 24% de tudo o que vendeu para o Exterior.

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