Carlos Chagas comenta
TESTE DE FIRMEZA
A partir da eleição de José Sarney para a presidência do Senado, e de Michel Temer para a Câmara, muita gente começou a celebrar, em Brasília, a morte do terceiro mandato.
O presidente Lula não quer, dizem, mas mesmo se quisesse, os novos comandantes do Congresso inflariam o peito, desembainhariam as espadas e entoariam hinos à liberdade e à democracia, impedindo a tramitação de emendas constitucionais capazes de permitir mais uma reeleição do chefe do governo.
É bom tomar cuidado. Alguém se lembra de qualquer reação dos dois parlamentares quando, nos idos de 1997, a quadrilha de Fernando Henrique Cardoso atropelou as instituições e obteve do Congresso a reeleição para um segundo mandato no exercício do primeiro, quando o sociólogo havia sido eleito apenas para um período?
Tratou-se de um golpe de estado, de um abominável expediente para que os então donos do poder continuassem montados nele. Tanto Sarney quanto Temer aplaudiram, bafejados pelas migalhas do banquete tucano.
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