Artigo
CRUZADAS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“Que homem é um homem que não torna o mundo melhor?” (Do filme “Cruzada”)
O obsessivo negacionismo de Bolsonaro inspirado no seu ídolo Donald Trump sabota todos esforços para debelar a pandemia. Isto nos leva a pensar que se trata de uma cruzada do mal, levando-nos a recordar as cruzadas medievais organizadas para libertar Jerusalém dos muçulmanos.
Ficou notória a Primeira Cruzada, mobilizada por uma carta exortatória do papa Urbano II, atendendo a um apelo do Império Bizantino. Foi comandada em 1095 pelos nobres Godofredo de Bulhão e Balduíno de Bolonha.
Essa incursão para retomar a Terra Santa é descrita cruamente por sir Walter Raleigh na sua “História do Mundo”, registrando o fiasco do pretendido resgate do Santo Sepulcro.
Segundo o relato, a expedição reuniu mais de duzentos mil pessoas, bandos formados de criminosos soltos das prisões, egressos das galés, delinquentes de várias categorias e prostitutas, que eram liderados por aventureiros ávidos por violência e saques. Na massa desconforme havia exceções: participaram dela, além de nobres cavalheiros em busca da glória militar, piedosos sacerdotes cheios de fé.
Tal descrição nos leva a pensar como Victor Hugo, que avaliou: -“Deixemos à História as mentiras sublimes, não as discutamos; suas mentiras são melhores que a nossa verdade”. Acrescento, porém, que devemos observar as entrelinhas, lembrando que mesmo entre os maus, salvam-se alguns.
Garimpa-se na História da Primeira Cruzada a figura do seu adversário, o sultão Saladino, chefe militar curdo que dominava um grande império, da Síria ao Egito, e mantinha um cerco a Bizâncio.
Descreve-o bem o filme “Kingdom of Heaven” – “Cruzada” -, de 2005, dirigido por Ridley Scott no enredo que vai até à reconquista de Jerusalém pelo exército do Sultão, que além de admirável estrategista militar foi excelente administrador dos seus territórios e protetor da cultura islâmica; deixou entre os seus pensamentos um antológico: “Nunca esqueça: um homem é aquilo que faz”.
… E assim, pelo que fizeram os protagonistas da Primeira Cruzada, devemos estudar nos nossos dias o comportamento dos que, como nós, compõem a sociedade humana, principalmente daqueles que estão investidos de poder.
Estudar o que os homens fazem quando conquistam o poder é um mergulho fatal na História da Humanidade e, em particular entre nós brasileiros, onde um pouco de sinceridade é algo perigoso, e perfilar os mandatários pode ser fatal; tratando-se do capitão Bolsonaro vira crime, enquadrando o crítico na ditatorial “Lei de Segurança Nacional”….
Assegurar a verdade, porém, faz parte do espólio do Reino de Jerusalém, ou Reino Cristão de Jerusalém, parte da história protagonizada pelos Cavaleiros Templários, que até hoje provoca a curiosidade sobre os mistérios que envolvem a Ordem do Templo que fundaram.
Como sabemos, a Ordem dos Cavaleiros Templários nasceu no século 13, para garantir a segurança dos peregrinos cristãos que iam à Palestina visitar os lugares percorridos por Jesus Cristo. A sua formação militar e religiosa passou a ser também política, dividindo-se entre o ativismo orgânico e uma sociedade secreta de formação hierárquica, alimentando críticas ao papado, não aceitando Maria como “mãe de Deus”, mas como “mãe de Jesus”, e defendendo a pluralidade religiosa.
Herdeiros desta organização espalharam pela Europa círculos de obediência aos princípios éticos, principalmente a liberdade de consciência, o antidogmatismo religioso e a vigilância aos poderes constituídos.
Algumas ordens maçônicas tiveram origem na Ordem do Templo que foi presidida por Jacques de Molay, templário condenado à fogueira pela Inquisição. Vindas de Portugal, algumas dessas atuam no Brasil sem se comprometer com interesses pessoais ou grupistas, nem com os erros cometidos por quem ocupa eventualmente o poder.
Ainda hoje, pelo mundo afora, os herdeiros dos templários participam de uma Cruzada do Bem para criar um mundo melhor, lutando contra a covid-19 para salvar vidas; e, no Brasil, combatendo o negativismo patológico do capitão Bolsonaro, denunciando a picaretagem no Congresso Nacional e repelindo a intromissão do STF em casos que só a Ciência deveria se manifestar.
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OFERENDA
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
O valor de uma oferta não está naquilo que se dá ou faz, mas na intenção de quem o deu ou fez” (Sêneca)
Quem acompanha a beleza litúrgica dos rituais religiosos, encontra na primeira parte da missa católica apostólica romana o Ofertório, consagrando a oferta do pão e o vinho a Deus.
A oferenda aos deuses e santos faz parte das cerimônias de todas religiões e seitas do mundo; desde às monoteístas aos cultos mais primitivos. A ação de ofertar é praticada por sacerdotes ou por manifestação individual. Assim ocorre na liturgia eucarística do catolicismo, no ritual funerário judaico, na hégira do islamismo e na meditação sob os incensos e velas do budismo e do xintoísmo.
Em certas religiões de origem africana no Brasil e no Caribe, a oferenda vai para Iemanjá nas sete ondas do mar, ou colocada numa encruzilhada ou cachoeira para Exu; e também na missa negra do negativismo celebrada por Bolsonaro, oferta-se cadáveres dos mortos pela covid-19 no altar do desdém pela pandemia e da sabotagem contra as vacinas.
Ao contrário das práticas maléficas do celebrante necrófilo, a gente encontra alegria na música, no álbum “Ofertório”, do compositor e cantor Caetano Veloso em conjunto com seus filhos Moreno, Zeca e Tom, com 28 músicas de excelência.
E temos igualmente na música a lindíssima peça melódica e poética executada e cantada na missa, entre o Credo e o Sanctus: – “Venho Senhor, minha vida oferecer, / Como oferta de amor e sacrifício”. O sacrifício do ofertório lembrou-me uma antiquíssima lenda chinesa.
Conta que o inventor da porcelana, cujo nome se perdeu nos tempos, pesquisou durante anos qual a temperatura ideal para coser no forno a argila e conseguir uma delicada e refinada cerâmica.
Após inúmeras tentativas, sem conseguir alcançar a perfeição desejada, desesperou-se e atirou-se às brasas. Era um homem rechonchudo, como Pazuello (o “meu gordinho” de Bolsonaro).
No seu sacrifício, a gordura do corpo adicionou o que faltava para conseguir o esmero perseguido para os seus vasos, que foram encontrados no dia seguinte com a textura perfeita.
Segundo os crentes da religião chinesa “Caminho dos Deuses” de onde derivou o xintoísmo japonês, o sacrifício para a obtenção da porcelana deu ao seu inventor um lugar nos altares, certo de que não havia cosido os vasos com a sua gordura, mas com a sua alma…
Martinho Lutero, ex-monge e teólogo alemão, considerado o pai do movimento da reforma protestante, deixou-nos frases e pensamentos antológicos e ressaltando a ontologia da alma comentou, como fez Tomás de Aquino, “Deve-se doar com a alma livre, simples, apenas por amor, espontaneamente! ”.
Eduardo Pazuello, o “meu gordinho” de Bolsonaro, não tem alma, como mostrou a sua gestão genocida no Ministério da Saúde, e tragicamente na crise do oxigênio que resultou em centenas de mortes.
Como ativista do negacionismo, Pazuello atirou-se à fogueira das vaidades e caminhou nas brasas da inconsequência, invertendo o conceito de oferenda ao transferir para as Forças Armadas o sacrifício ministrado pelo alto comando do Exército absolvendo-o de flagrante indisciplina. Um comportamento intolerável em qualquer força armada do mundo.
A gordura societária do General com o Capitão não produziu nas chamas a delicada porcelana, mas uma rústica panela de barro, que serve para cozinhar no fogão do sigilo a descrença que o povo brasileiro adquiriu pelo capitão Bolsonaro e na vergonha dos militares.
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SÃO 30%
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“Eles podem cortar todas as flores, mas não podem parar a primavera” (Pablo Neruda)
“É a China, é o Dória, são os governadores e prefeitos, são as medidas de isolamento preventivo, é o desprezo pela Economia e é a oposição ao Presidente bonzinho, que alertou para o perigo da pandemia, se apressou a adquirir vacinas e deu exemplo ao povo de como se portar, usando máscara, condenando aglomerações e enaltecendo o valor da vacinação”….
Assim se expressam os 30% (com otimismo) que ainda cultuam a personalidade de Bolsonaro, adoração ao Chefe como fizeram as massas alemães e italianas ao seu führer e ao seu duce; e, até hoje, comunistas idolatrando o “paizinho” Stálin.
Os 30% (com otimismo) têm dois lados extremistas nefastos da política brasileira, um dele dos que apoiam Bolsonaro e os outros pertencem a Lula, o encantador de serpentes corruptas como ele próprio.
Estes percentuais numéricos levam-nos a percorrer os nossos 8.516.000 km² para ver o que vem ocorrendo no Brasil. Contaram-me, por exemplo, que numa cidade do interior da Paraíba, Bolsonaro foi inaugurar um mata-burro e reuniu 30% (com otimismo) da população local aplaudindo-o; e, sete dias depois, na mesmíssima cidade, o PT convocou uma manifestação oposicionista e também apareceram os 30% (com otimismo) em entusiástico apoio….
Segundo a observação maldosa de um jornalista de Campina Grande, meu amigo, daqueles mil manifestantes de um lado e do outro, a metade eram as mesmas pessoas, controladas pelos cabos eleitorais do Prefeito, que quer se sair bem com os dois….
Diante deste fato, analisamos que as pesquisas eleitorais são t desprezíveis entrando na lista de Theodore Roosevelt, registrando que “há três espécies de mentiras: mentiras, estatísticas e pesquisas”…. Entretanto, os números que elas trazem podem ser aproveitados, porque têm mantido um pouco mais, um pouco menos de 30% para Bolsonaro e Lula; podem conferir.
O que se passa nas cabeças de 40% restantes? O que pensarão os orgulhosos contabilistas daqueles que fazem parte desta maioria? Calam-se; deixam a resposta para o tempo que vai passar até as próximas eleições….
Na verdade, o Tempo registra historicamente a formação de impérios e a sua decadência; Ibsen, na sua visão materialista, lembra que também cada dogma e cada igreja “já tiveram a sua aurora e terão certamente o seu crepúsculo”; do mesmo modo como irá acontecer no porvir político das terras brasílis.
Como descarto dos dois nomes que a polarização extremista quer nos impor, observo a louca corrida eleitoral, mantenho-me observando-a à distância entre Nietzsche e Pilatos, o alemão perguntando-se o que é a mentira, e o romano que julgou Cristo e Lhe perguntou: – “O que é a verdade?
As diferenças filosóficas das duas personalidades históricas nos mostram a necessidade de ter dúvidas, de buscar a verdade estudando a realidade sem falsidade e sem os fundamentos que as massas aceitam na sua vulgaridade mental.
Gosto de citar Galileu Galilei, cientista defensor do heliocentrismo preso pela Inquisição por enfrentar dogmas idiotas. Entre os pensamentos que deixou, referiu-se que “a verdade não resulta do número dos que nela creem”; e isto nos alerta para o que se vê no mundo da ignorância científica.
Até mesmo categorias supostamente esclarecidas curvam-se para a mentira que vigora entre os 30% bolsonaristas. O que não surpreende é que sob os reflexos condicionados pela formação de subalternidade, a estreiteza intelectual do general-ativista Eduardo Pazuello leve-o a subverter a disciplina militar.
O que assombra é que a instituição que tem o Duque de Caxias como patrono curve-se diante disto por pressão de Bolsonaro, desastrado aprendiz de ditador. Trata-se de uma ameaça ao Estado de Direito que o silêncio reinante entre os meios políticos e jurídicos assustam os defensores do Estado Democrático de Direito.
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CINISMO
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“Há almas cuja treva é maior que a noite, consciências cuja lama é maior que a de todos os pântanos da terra” (Albino Forjaz Sampaio)
O Cinismo, como corrente filosófica foi criado por um dos discípulos de Sócrates, Antístenes, que dedicou a vida pregando que o valor da pessoa humana não é medido pelos bens que possui, mas pelo seu altruísmo.
A palavra “Cinismo” no grego antigo, “kynismós” significa “como um cão” mostrando a maneira espontânea e natural dos adeptos desta filosofia, os Cínicos. Dicionarizado, o verbete Cínico é substantivo e adjetivo; aquele que despreza as tradições, afronta as convenções e desacata as regras sociais correntes.
Através dos tempos, a linguagem é domesticada pela ordem constituída passando por transformações em favor da mentalidade dominante; e assim ocorreu com a inversão do sentido das palavras “Cinismo” e de “Cínico”, depreciadas no seu significado original; “Cínico” passou a ser tratado como desavergonhado, descarado, devasso, indecente, libertino e até sem-vergonha!
Como o poder político não passa de segurança do shopping da Economia, não permite uma oposição ao seu sistema. Reprime quem lhe despreza, lhe afronta e desacata. Os seus agentes, entretanto, são de um cinismo ímpar – o da linguagem corrente, do “sem-vergonha” -, pela falta de caráter e a sofreguidão pelo acúmulo de riquezas, seja qual for o modo de adquiri-las.
No Brasil, os políticos em geral revoltam a opinião geral pela maneira inconveniente de usar a coisa pública, e nisto é excessivo o cinismo de alguns deles. Agora mesmo, ocupando o poder, um grupo de sem-caracteres é comandado por um patife, capaz de gastar R$ 1.790.003,92 – em plena pandemia, por quatro dias de “descanso”, de 8 a 17 de fevereiro.
Este velhaco, o presidente Bolsonaro, se exibiu outro dia nas redes sociais mostrando uma picanha de boi da raça wagyu, de origem japonesa, vendida a R$ 1.799,99 o quilo, no churrasco que ofereceu à sua patota.
Isto revolta os brasileiros desejosos de um País sem privilégios, justo, pacífico e progressista, mas satisfaz a ignorância gulosa pelo néctar de mitos camaleônicos. O excesso de cinismo é pandêmico.
Como um vírus, a sem-vergonhice se espalhou pelo Brasil, por todas as classes sociais: adotaram-no líderes comunitários, cooptou padres e pastores politiqueiros, entrou nas atas dos clubes de militares de pijama, encantou os carreiristas políticos e até assumiu uma forma “garantista” nos tribunais superiores….
Neste cenário de luzidia insensatez que vivemos, se sobressai Jair Bolsonaro, que de deputado medíocre admirador do golpista e ditador venezuelano Hugo Chávez, enveredou pelo sindicalismo fardado, tornou-se “comissário” do revanchismo militar, e, com um discurso contra a corrupção, se elegeu presidente da República.
Após as descobertas do filho mordedor de “rachadinhas” e dos cheques inexplicáveis passados para a mulher, casou a mentira com o cinismo e passou a blasfemar contra a Lava Jato, rompendo com o caçador de corruptos, Sérgio Moro, para intervir no Coaf e na PF, e blindar seus bandidos de estimação.
Então, a nova versão do cinismo tornou-se rotina entre os que proclamam a honestidade do Presidente, até mesmo quando ele apoia as ações suspeitas do ministro boiadeiro Ricardo Salles, advogado de madeireiros contrabandistas.
O otimismo cínico dos cultuadores da personalidade de Bolsonaro aplaude a traição das promessas eleitorais dele, que quer se reeleger com as mesmas promessas. Pior ainda, cega para a sua loucura em criar um “gabinete paralelo” para executar uma política necrófila.
Este cinismo deplorável se expõe comparando-se as ações do governo federal diante da pandemia letal: isto se vê claramente com Bolsonaro, que levou três meses para responder a oferta das vacinas da Pfizer, e apenas três minutos para sediar a Copa América no Brasil, uma ameaça de risco de transmissões da covid-19.
Se o cinismo da politicalha servisse à Nação como atende ao negacionismo, a política necrófila não seria exaltada, e as famílias de meio milhão de brasileiros mortos não derramariam lágrimas.
Uma coisa é certa: as viúvas, viúvos, pais, irmãos e órfãos dos caídos pelo genocídio promovido por Bolsonaro jamais se tornarão cínicos como os seguidores dele….
CHEIRO
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“Não se pode trabalhar num esgoto sem cheirar a esgoto” (José Saramago)
Todas as pessoas que conheço estimulam as lembranças do passado pelos sentidos. São paisagens, olfato, sabores, sons e texturas trazem recordações a muito enterradas no nosso subconsciente; e, para mim, o mais excitante dentre os sentidos é o olfato.
São incríveis os cheiros que me trazem a presença de entes queridos que se foram. De vez em quando, andando pelas ruas passo por uma senhora usando o perfume que minha mãe usava, “Cuir de Russie” de Chanel, trazendo-me imensa tristeza pela ausência dela da minha vida.
“Cheiro” é um substantivo masculino de origem discutida, sendo para mim a mais próxima é a derivada do provençal, “cheiriar” significando lavar com energia as mãos para tirar odores deixados pelo contato com animais, corpos humanos, plantas e objetos produzidos por matérias químicas.
Com muitas variantes, “Cheiro” exprime concretamente a impressão originária do olfato, e o verbo derivado “cheirar” leva até ao uso de cocaína…. Figurativamente, lembra o carinho do fungar no pescoço da pessoa amada, e realça a odorífera poesia de Shakespeare: – “Se a rosa tivesse outro nome, ainda assim teria o mesmo perfume”.
“Cheiro” também expressa metaforicamente a suspeita de algo que aconteceu ou está por acontecer. É o que sentimos na política brasileira, com o cheiro de mofo, de tinta descascada e musgo de muro carcomido saído do encontro entre Fernando Henrique e Lula; do mesmo modo como o cheiro de enxofre expelido pelo demônio que mora nos ouvidos de Bolsonaro. Nesses exemplos entram os antônimos catinga, fedor, fétido, pestilência….
Embora sem ser investigador de polícia ou ter o faro apurado de um perdigueiro, senti forte cheiro de corrupção quando no ano passado assisti a reunião ministerial de 22 de abril, com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, propondo que o governo aproveitasse a pandemia para passar a “boiada”….
Esse “aboio” do Ministro para tanger o gado, foi uma alegoria política visando aproveitar as atenções voltadas para a pandemia e intervir na legislação, mudar as portarias e as regras em defesa do Meio Ambiente, em favorecimento dos desmatadores, garimpeiros e madeireiros ilegais.
O gado humano que apoia bovinamente o Governo Bolsonaro ignorou o fato, por motivos óbvios, e o escondeu sob o esterco da cumplicidade; o mesmo não aconteceu com a manada dos brasileiros patriotas que divulgaram, combateram e não esqueceram a proposta obscena, para não dizer criminosa.
Agora, esta impostura emergiu no noticiário midiático: Autoridades norte-americanas do Governo Biden apreenderam uma carga ilegal de madeira amazônica e alertaram sobre irregularidades nestes carregamentos para os Estados Unidos. E assim confirmou que a Polícia Federal agiu corretamente ao deflagrar a Operação Akuanduba.
Esta ação foi criada para apurar crimes de corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e irregularidades para facilitar o contrabando com a participação suspeitosa de agentes públicos.
Em consequência, veio a seguir, acionada pelo superintendente da PF no Amazonas, delegado Alexandre Saraiva, a Operação Handroanthus, que apreendeu 213 mil metros cúbicos de madeira ilegal na divisa entre Amazonas e Pará no fim do ano passado, uma delinquência que foi defendida pelo ministro Ricardo Salles.
No contexto deste flagrante criminoso, a Polícia Federal abriu investigação sobre a intervenção protetora de Salles e funcionários do Ibama à ilegalidade; mas o Governo Bolsonaro, em vez de combater a corrupção e punir os infratores, destituiu Saraiva da Superintendência da PF….
Nesta circunstância, exala no ar um ativo cheiro de jabaculê, pixuleco, propina e suborno, com o ministro Salles e sua equipe suspeitos de apoiar o contrabando e perseguir agentes públicos. Só quem perdeu o olfato por causa da covid-19 não sente este miasma, e se junta aos que estão sufocados pelo bafio do fanatismo defendendo seus bandidos de estimação.
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SUBSTANTIVOS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“O substantivo em sua majestade, o adjetivo, roupa transparente que o veste, e o verbo, o anjo que lhe dá impulso” (Baudelaire)
Os auto-assumidos conservadores e moralistas distribuem toneladas de pareceres recomendando austeridade e bom senso, mas não prescrevem sequer poucas gramas de rejeição à hipocrisia e a mentira. Vemos isto no cardápio diário das redes sociais, do café-da-manhã à última refeição do dia….
Parece-me a pregação do bom senso pelos puritanos do século 21 pelo bom senso ecoa apenas na “região inexplorada” (“the indiscovered country”) a que se refere Shakespeare no enredado terceiro capítulo de Hamlet; ou, abrasileirando, discurso às pedras do deserto, como escreveu Plínio Salgado.
Não cola. Porque faltam exemplos dos “andares de cima”; palavras, o vento as leva, enquanto o proceder correto desperta admiração e estimula a imitar; impõe respeito e se constitui em modelo.
O cenário contraditório é amplo; político, religioso e social. Um palco aonde se gasta hectolitros de substantivos qualificativos para tingir uma postura de momento. São muitas as cores dos “ismos”; vão das nuances do anarquismo ao absolutismo. Nenhum deles, porém, pior do que o negacionismo, que estimula a cavalgada de grupos obscurantistas com a bandeira da ignorância.
Se estudassem, veriam que as ciências astronômicas, físicas, matemáticas e químicas vêm da aurora da História da Antiguidade. Engatinharam, arrastaram-se, cambalearam; mas de dois mil anos para cá, só um néscio se opõe a conceitos que podem ser provados cientificamente.
Entretanto, temos até dias de hoje idiotas defendendo que a Terra é plana, séculos depois de Galileu enterrar o geocentrismo e, 400 anos mais tarde, Iuri Gagarin ter visto e fotografado o globo terrestre exclamando: -“A Terra é azul! ”.
Vemos em plena pandemia do novo coronavírus a cambada negacionista ignorar a Ciência, rejeitando conceitos apoiados no consenso científico internacional; monta na égua da desinformação para se contrapor aos conceitos médicos de prevenção contra a covid-19, de evitar aglomerações, usar máscara e na medida do possível, fazer o isolamento social.
No Brasil, estas falanges imbecilizadas pelo fanatismo tentaram sob o comando do próprio presidente da República, boicotar a vacinação. Assistimos Bolsonaro falar de público que “quem tomasse a vacina poderia virar jacaré”, “que cresceria barba nas mulheres” e “os homens iriam falar fino”…. O filho Eduardo, não menos idiota, ao ser aconselhado a se resguardar, mandou que “enfiassem a máscara no rabo” em vídeo divulgado nas redes sociais.
Tal rejeição à Ciência Médica e desrespeito ao povo brasileiro, merece, sem dúvida, nomear com substantivos adjetivados o estado patológico da familiocracia que ocupa o poder. Incentiva-nos a empregar substantivos comuns, figurativos ou temáticos, para classificar a estupidez do seu negacionismo.
E para piorar o quadro da política necrófila do Governo Bolsonaro, ficou instituída a Mentira, a do Presidente, sempre; e por espírito de imitação daqueles que o cercam perfilados, como o ex-ministro Eduardo Pazuello. Negando que a verdade é um símbolo da honra militar, mentiu na CPI da Covid, diante de documentos apresentados.
O substantivo feminino Mentira, ato de mentir, tem etimologia latina mentīre, remetendo ao latim clássico mendacium, ou, como querem outros, mentionica, do latim tardio.
Adotou-o Pazuello à frente do Ministério da Saúde, de prontidão diante do “chefe de Estado”, “chefe de Governo”, “comandante-chefe das FFAA” e “chefe da Administração Federal”; não esquecendo de que o Capitão-Generalíssimo, quando diz besteira, fala como “agente político”…. Lembrou-me nazistas em Nuremberg.
Diante disto, o perfil do General é o de que, após comandar a batalha contra a pandemia, deixou o Ministério resumiu em duas palavras a sua passagem por lá: “Omissão cumprida”….
VELHOS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“O tempo é um ponto de vista. Velho é quem é um dia mais velho que a gente…” (Mario Quintana)
A intenção maldosa de ofender às vezes sai pelo contrário; por três vezes nesta semana me chamaram de “velho” nas redes sociais, mandando-me recolher, e, em vez de me irritar, senti-me elogiado e apenas registrei a falta de educação.
Falta de educação é uma conduta de filho de chocadeira, que não teve mãe nem pai para ensinar convivência com outrem. Quando menino, meus pais educaram-me para respeitar crianças, mulheres e velhos; e quem não os tratar assim sofre uma deformidade moral.
Deixando de lado o sentimento doentio dos mal-educados, digo-lhes que o meu recolhimento, é inaceitável, quando vejo no governo dezenas de militares da minha geração defendendo o negativismo; assim, para fazer-lhes oposição de igual para igual (exceto pelos altos salários acumulados deles) não renuncio à participação na rede social.
Para escrever este artigo, refleti que não sou o único exemplo na exclusão etária dos que querem impedir a livre expressão do pensamento nas redes sociais; são centenas de internautas idosos, expondo experiências, mostrando cultura e polemizando em defesa das opiniões próprias, e como eu, sofrendo também discriminações.
Lembrei-me de uma historinha que pesquei entre muitas que coleciono, com a artista francesa Mistinguett, cantora que brilhou nos palcos e nos filmes, deixando a sua lembrança gravada na memória de várias gerações.
O antigo empresário dela visitou-a e revelou que estava trabalhando numa peça e pensava em aproveitar uma atriz idosa num monólogo em que expõe as experiências acumuladas para uma jovem que lhe pediu conselhos.
– “Este papel me entusiasma”, falou Mistinguett, que tinha 81 anos na época. – “É excelente esta ideia”, e perguntou a seguir: – “… E quem vai protagonizar a velha? ”.
É isto. O artista que é artista pode atuar como qualquer personagem, seja de que idade for; é como os jornalistas do meu tempo, cuja formação humanista e cultura acumulada, lhes permite assumir qualquer pauta, seja da sua especialidade ou fora do contexto.
Um bom ator aprende a interpretar todos os tipos de papéis, do mesmo modo como um jornalista vocacionado conduz uma matéria sobre qualquer assunto. É assim que no meu caso particular procuro fazer mesmo amadoristicamente, desgostando os fanáticos cultuadores de personalidade.
Se lhes aborreço e instigo o ódio enfermiço do fanatismo político ou religioso, agrado em contraposição um grande número de seguidores e jovens leitores dos meus artigos. Na minha atuação como internauta, sigo uma lição de Goethe que me acompanha desde que entrei no Twitter: – “Quando se é velho, é preciso ser mais ativo do que quando jovem”.
É talvez por causa da minha atividade aos 87 anos de idade que eu tenho incomodado os recém-chegados à rede social sem formação adequada, cujo único argumento numa polêmica é a intolerância. São palermas que se fanatizam pela política, sem pensamento próprio, levados a seguir bovinamente lideranças demagógicas, juntando-se a mercenários que se põem a serviço do poder atuando fraudulentamente por dinheiro.
Assim denunciaram os influencers que receberam verbas do Governo Bolsonaro para defender o tratamento precoce; e tem outros que ainda continuam elogiando remédio contra piolho para curar a covid-19, por vergonha de admitir que venderam a consciência.
Encontro numa ilação sobre a velhice atuante, muitos que defendem suas ideias com destemor, levando-me a reconhecer e aplaudir esses que envelheceram com dignidade. Da minha parte, valho-me de Paulinho da Viola,navegando como “um velho marinheiro que durante o nevoeiro leva o barco devagar! ”
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MEDIDA
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“Eu sou do tamanho daquilo que sinto, que vejo e que faço, não do tamanho que os outros me enxergam” (Bob Marley)
“O homem é a medida de todas as coisas”, ensinou Protágoras, o célebre sofista da Grécia Antiga, obrigando-me a invocar a regra que diz que “toda regra tem exceção” para deixar os tolos fanatizados por políticos de fora da medida “das coisas que são, enquanto são e das coisas que não são, enquanto não são”….
Sem ligar para que os tolos pensam e dizem, foi sofrendo a interferência da memória dos meus pais, da minha mãe espírita kardecista (militante, participando de federações na Paraíba e no Rio de Janeiro) e do meu pai, de formação positivista que se assumia como agnóstico, que escrevi o artigo “Ressureição”.
No texto, abordei pela segunda vez os casos de Bolsonaro a Dilma, ele querendo blindar o general Pazuello e ela querendo salvar Lula, com cargos ministeriais. Estes fatos lembraram-me o episódio em de Dilma pediu que chamassem o Messias e por ela estar gripada, fanha, o pessoal ouviu “Bessias”.
Por ter falecido este personagem que foi badaladíssimo na época do episódio, a citação que fiz dele provocou críticas de uns idiotas que falam em nome da “religião”. Então, para me defender, invoco o pastor Martin Luther King, com a frase: “a religião mal-entendida é uma febre que pode terminar em delírio”.
Então rebato os delirantes afirmando que não invoquei o espírito do Messias, não porque dê importância à Congregação do Santo Ofício que proibiu que se interroguem espíritos e ouçam as suas respostas; nem porque tenho dúvidas sobre a crença espírita de que as almas vagam pelo mundo.
Sei, porém, que isto suscita discussões. É por demais conhecida a obstinação de Lombroso buscando provas sobre a comunicação dos mortos, e foi confrontado pelo incrédulo Gustave Le Bom que escreveu: – “sob o domínio da crença no além vida, até um cientista fica inseguro sobre os métodos científicos de análise”.
Tais posições destes importantes personagens, pensamos no que se diz sobre os chamados médiuns, aqueles que possuem o dom de se comunicar com os espíritos. Argumenta-se que se trata de possuidores de um sentido, entre os 21 inexplorados além dos cinco usados normalmente, audição, olfato, paladar, tato e visão.
Conforme os kardecistas, existem poucos médiuns autênticos no mundo, porque a mediunidade é um fenômeno raríssimo. Citam alguns nomes que foram capazes de exercer esta prática, como as santas Joana D’Arc e Tereza D’Ávila e no Brasil, Chico Xavier; os Evangelhos contam que na cruz Jesus comunicou-se com Deus, murmurando “Eloi, Eloi, lamá sabactani? ” – “Deus, ó Deus, porque me abandonastes? ”.
Em verdade, as medidas sobrenaturais não são traçadas com régua e compasso, e muito menos por pessoas que se investem de intermediários da divindade, cobrando módicas quantias para isto num determinado endereço, e até patenteando a “marca” Jesus Cristo….
Quanto à vida real, com ou sem religião, “se você quiser ver a verdadeira medida de um homem, preste atenção em como ele trata seus inferiores, não seus iguais”, aconselha a escritora britânica J. K. Rowling. Lição que deveria chegar a Paulo Guedes para ele não desdenhar filhos e filhas de porteiros…, é uma silhueta recortada do elitismo bolsonarista assumido fraudulentamente como “de direita” e “conservador”.
Vimos também este tratamento com outrem feito por Bolsonaro atacando o principal parceiro comercial do Brasil, a China. Tal cretinice não se trata de Teoria da Conspiração, mas talvez uma manifestação mediúnica do diabinho que incentiva o Presidente na política macabra do negativismo, querendo a suspenção do envio de insumos de vacinas para matar mais brasileiros.
O comportamento psicopático do Presidente, não é “invenção da mídia”, nem ataques comuno-globalistas; está nas declarações dele gravadas em vídeo, com as quais se pode ver que a sua posição negativista causa mais mal ao País do que todos os acusados de infringir a Lei de Segurança Nacional por criticá-lo….
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FASCISMO
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“Não seria demasia lembrar que os arautos das devassas ilegais odiosas e fascistas, acabam por ter que quebrar os seus próprios espelhos. ” (Frase de autor desconhecido citada por Carl Sagan)
Chamar Bolsonaro de fascista não dá. Ele pode até pensar no fim da democracia pensando receber apoio das FFAA; mas pela sua formação, egresso da caserna por contumaz indisciplina, julga identificar-se, como “capitão contestador”, como foram os “revolucionários” da mesma patente Luiz Carlos Prestes e Carlos Lamarca….
Diferente dos dois, porém, a sua formação política nasceu na Câmara dos Deputados sentado entre os picaretas do baixo clero. É uma salada mista ideológica; como deputado oportunista, votava com o PT-governo e dava entrevistas elogiando o ditador venezuelano Hugo Chávez…. Depois voltou-se para a “direita”.
Pela notória obtusidade, é incapaz de tornar-se um estadista, nem ao menos aparentar conhecimento da conjuntura socioeconômica nacional; e sequer possui eloquência oratória para cativar as massas.
É difícil para ele conviver com militares de alta patente da ativa, com curso de Estado Maior obedientes à Constituição; e muito menos com os políticos cultos de formação acadêmica; acomoda-se bem cercado da turma do Centrão, de advogados de porta de xadrez e de policiais que abandonaram a farda tornando-se seguranças.
Foi elevado ao poder federal por causa da roubalheira lulopetista, condenada e desmoralizada por patriotas brasileiros, que foram para as ruas espontaneamente aos milhões. E naquela conjuntura, a radicalização política foi rápida; e não demorou que fosse aproveitada por extremistas de direita e revanchistas do regime militar, orientados pelos piores anticomunistas, aqueles que não conseguiram se encarreirar no partido, se melindraram, e viraram gurus de ignorantes deslumbrados.
Ganha as eleições, as bandeiras da campanha contra a corrupção foram abandonadas pela pressão interna da criminalidade na mesquinharia das “rachadinhas”; como foram traídas outras promessas, como o liberalismo econômico e uma administração livre da picaretagem parlamentar.
Caminhou-se então o Governo Bolsonaro para a mitologia agressiva e a irracionalidade ideológica, promovendo o culto da personalidade e, com a pandemia do novo coronavírus, enaltecendo o negacionismo da Ciência inspirado na subalternidade ao boçal Donald Trump.
A cultura dominante e continuada do negacionismo promovido pela Familiocracia instalada no Planalto, nos leva à canção dos Engenheiros do Hawaii, “…o fascismo é fascinante/ deixa a gente ignorante e fascinada”. Este aludido fascínio atrai aqueles que são inclinados a “ouvir e obedecer”, e é repudiado pelos amantes da Democracia e da Liberdade.
O fascínio fascistizante produz decepções entre os que respeitam o Exército Brasileiro, ao saber que três militares-ministros, da Casa Civil, da Defesa e da Energia, tomaram vacina escondidos do Chefe. Um deles, Luiz Eduardo Ramos, da Casa Civil, contou que tomou “escondido” a vacina contra a Covid-19 e que tenta convencer o presidente Jair Bolsonaro a se imunizar também. Parece que esqueceram que “A verdade é um símbolo da honra militar”.
Lá em baixo, nas valas lamacentas do fanatismo e do mercenarismo, a sedução fascista chega nas redes sociais com ataques à Maçonaria e pior, com o revoltante racismo de uma “Petição ao Congresso” contra o casamento inter-racial para “garantir” a “raça pura”. Sobre esta loucura, a internauta Maria Feistauer falou por nós declarando: -“Os nazistas estão saindo das sombras sem qualquer pudor”.
Estas figurinhas fáceis que atuam nas redes sociais por controle remoto do Palácio do Planalto, exibem agora uma ação fascista de atacar o médico Luiz Henrique Mandetta, que na CPI da Covid revelou que o País vive sob o poder de uma família tresloucada, capaz de fraudar bula de remédio e mentir sobre os números da pandemia.
Mentindo, esse bando atua como cópia xerocada do governo necrófilo, e embora muitos neguem serem fascistas, o são até sem o saber quando assumem a organização e a disciplina fascista para defender o Capitão Minto.
Para os servis lambe-botas não gasto mais de três linhas; uma delas é para lembrar-lhes que “a cadela do fascismo está sempre no cio”, como escreveu Brecht; e também com Mussolini ao assumir o poder, encerrando o discurso de posse com a frase: “Enterramos o cadáver pútrido da liberdade. ”
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O TEMPO (2)
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol,com.br)
“O tempo é o teu capital; tens de o saber utilizar. Perder tempo é estragar a vida” (Kafka)
Einstein, o genial criador da Teoria da Relatividade, observou que “o tempo é apenas uma persistente ilusão”, pela sua passagem relativa e ligada à velocidade. Será que um dia poderemos retroceder ao passado e avançar no futuro?
Leva-nos ao genial filme hollywoodiano, dirigido por Robert Zemeckis, com script dele próprio e Bob Gale, “Back to the Future” – De Volta ao Futuro -, que de tão relevante e incrivelmente extemporâneo, já deu três versões em série.
Produzido em 1985 com um excelente elenco que conta com Michael J. Fox, Christopher Lloyd, Lea Thompson, Crispin Glover e Thomas F. Wilson, se mantém atual por trazer a visão de que as coisas se interpõem o passado e o tempo….
Da ficção para a realidade, chama a atenção o fato de não ser possível esconder para nós, a medida do tempo, escalonado na sua duração por segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses, anos, séculos…
Do cinema nos vem, também, uma curiosa situação de ficar preso ao tempo, com o filme “Feitiço do Tempo”, que tem como enredo a cobertura do Dia da Marmota, que a cada dia 2 de fevereiro, se define, pelo bichinho, se o inverno continua pelo mês. O repórter-do-tempo de uma TV vai à cidadezinha onde ocorre o evento e por não poder retornar à origem por uma nevasca, dorme no local e acorda sempre no mesmo dia…. Vale a pena assistir….
É interessante, porque contamos na vida com épocas, comemorações, ocasiões, períodos e prazos; e na medida em que envelhecemos, alegra-nos ou entristecem-nos os acontecimentos de ocasião.
Então observamos coisas que se passam diante de nós, na Ciência, na Economia e na Política. Que peso no tempo nos trouxe a pandemia do novo coronavírus! Como nos contraria ver no que produziu a estúpida dupla negacionista Trump e Bolsonaro… que entre seus malefícios ocasionaram milhares de mortes.
E uma das piores coisas que fizeram atingiu as populações miseráveis dos países pobres, negando a quebra da patente das vacinas. Eles favoreceram necrofilamente a indústria farmacêutica, sedenta de lucro sem se preocupar em curar alguém….
É inesquecível a colocação do bioquímico e biólogo molecular inglês Sir Richard J. Roberts, prêmio Nobel de Medicina, que disse “para a indústria farmacêutica, a cura é menos rentável que a doença”.
Os doidinhos fanáticos do bolsonarismo (teve um, nas manifestações de 1º de maio que exibiu uma placa “Autorizo o Presidente a me matar! ”) vão dizer que é opinião esquerdista, ou pior, uma “conspiração chinesa”…
Que pensem assim, ou reproduzam o que lhes mandam dizer. Esses chatos auto-assumidos “de direita”, renascidos do passado obscurantista das ditaduras e suas consequentes repressões à liberdade de expressão, leis de “segurança nacional”, prisões e torturas, são poucos e voltarão ao esquecimento, de onde não deveriam ter saído.
Eleitoralistas, querem um retorno à falsa polarização eleitoral, a fraudulenta e insultuosa alternativa entre Bolsonaro e Lula, iguais em quase tudo, incluindo a corrupção, de um, a grosso, vendendo medidas provisórias e do outro, no varejo com as “rachadinhas”….
Se os chatos “de direita” estão se amostrando e revoltando quem assiste a sua estupidez, enquanto os chatos de esquerda, por sua vez, continuam os mesmos, pensando e agindo como os communards ou os bolcheviques de 1917.
Então lembro a história de um esquerdista chato que numa conferência em Frankfurt abordou o patriarca dos Rothschild, fundador da maior oligarquia financeira do mundo no século 19.
O Banqueiro defendia o humanismo; então, o Agitador lhe interrompeu em voz alta: – “O senhor possui 200 milhões de florins e se assume como humanista, porque não divide a sua fortuna com os deserdados? ”
Rothschild alisou a barba e respondeu: – “Você tem razão; se devo partilhar o meu dinheiro, raciocinemos: a Europa tem 200 milhões de habitantes, então cabe um florim para cada um”. Meteu a mão no bolso, tirou uma moeda, e arrematou: – “Eis aqui o seu, venha busca-lo”.
… E assim, o tempo se fecha….
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