Artigo

MODELOS

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Construa um modelo de vida onde consigamos ser muito melhores do que somos hoje” (Rita Padoin)

A modelo Juliana Nehme foi impedida de viajar pela Qatar Airways por, segundo a companhia, “é gorda demais”. Juliana, em protesto, relata o caso nas redes sociais, contando que esteve em conexão de voo no Líbano de onde embarcaria para Doha, no Catar e, depois, como brasileira, retornaria ao Brasil.

Modelos gordas e magras, como as brasileiras Juliana ou Gisele Bündchen, estão sempre expostas na mídia; mas, infelizmente deu-se um tratamento diferenciado no caso da obesidade. Gisele, supermodelo, ativista ambiental e empresária, receberia um tratamento “vip”, sem dúvida, ao contrário da outra.

No episódio envolvendo a Qatar Airlines, é preciso refletir, em nome da razão, se houve discriminação; na verdade houve um pedido para compra de duas poltronas. Na minha opinião, a discriminação é apenas aparente, porque tive experiências em viagens, de como se sofre sentado ao lado de um corpo que nos Sertões se chama “guarda-roupas de casal”….

Hoje, pela minha idade, com economias guardadas ao longo dos anos, reservo-me o direito de sentar-me em cadeiras confortáveis, mesmo pagando mais. Não dá para primeira classe, mas para a “premium”…. Rsrsrsrs.

A palavra Modelo não se resume a indicar profissionais da moda que desfilam em lançamentos de estação para um público consumidor; como verbete dicionarizado, “Modelo” é um substantivo masculino e feminino que significa “padrão para construção de coisas idênticas”. Usa-se, como exemplo, “fizeram o móvel conforme o modelo apresentado”.

Coloquialmente, usamos a palavra Modelo para designar uma coisa ou pessoa que sirva de maneira atender nosso desejo ou um comportamento regrado. Próprios para serem admirados e imitados.

Assim, a identidade modelar apresenta características próprias que reconhece um objeto ou uma pessoa. No caso da matemática, queimei muito o raciocínio para entender a igualdade na identidade algébrica sem levar em conta o valor das variáveis…. Fui buscar (e achei) o exemplo exposto no dr. Google, xM + xN = x(M + N) para uma igualdade na identidade algébrica.

É permanente (e utópica) a busca de um modelo exemplar na vida comum do dia-a-dia e, principalmente, no campo político, onde somos obrigados a observar desvios aos direitos da cidadania sempre violentados pelos seus agentes.

Os modelos vivos são comuns entre os pintores e inspiram os poetas…. Quando se trata de protagonistas sociais e políticos, estão mais para exemplos negativos do que aqueles ídolos da infância, avós, pais e tios; ou, na pré-adolescência, personagens de romances, do cinema e da televisão.

As diversas mitologias espalhadas pelo mundo afora trazem exemplos para o bem ou o mal com seus deuses, assim como as religiões modernas fazem com deuses criados à imagem dos homens. Não enganam, porém, as cabeças pensantes cheias de dúvidas e reflexões.

Antes de adotar modelos é preciso medir, pesar e raciocinar. Deveria ser uma convenção civilizatória. Lembrar que uma sociedade evoluída mantém culturalmente um sistema moral acima das legislações.

Será nosso caso ou paira insegurança para afirmar? A avaliação está nos formadores de opinião, intelectuais e professores quando se trata de costumes; e, para computar as leis em matéria de Justiça, os tribunais.

Conciliador, George Box prega que “todo modelo está errado, mas alguns são muito úteis”. Da minha parte, procuro o modelo de felicidade que traga alegria para nossas vidas, contribuindo para o equilíbrio sócio-ambiental e a paz mundial. Viver significa gozar habitualmente o amor ao próximo.

PURGATÓRIO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“O purgatório moderno é feito de purgantes, injeções e intervenções cirúrgicas” (Luciano Bianciardi)

Quando eu era menino, o mês de novembro abria a minha curiosidade no campo religioso; todas as emissoras de rádio tocavam apenas músicas clássicas no dia 2, consagrado aos mortos; e as famílias faziam terços para rezar pelas “almas do purgatório”.

Amarrado e deitado numa cama de CTI em virtude da inquietante e penosa gastroenterite aguda que me atacou, vieram-me estas recordações e a lembrança do que seria o Purgatório; onde, se não me engano, o “fogo do purgatório” seria o mesmo “fogo do inferno” que tormenta os condenados….

A ideia do Purgatório veio depois do “cristianismo imperial” criado por Constantino. Não consta no Velho Testamento nem sequer dos Evangelhos. Segundo estudiosos, nasceu na Idade Média graças ás consequentes angústias, privações da época, e os pecados de sempre com os pecadores ansiando pelo reino do céu.

Entre os séculos 12 e 13, Santo Agostinho já preconizava um meio termo entre a salvação eterna dos castos e a condenação das pessoas inclinadas ao pecado, as orações para os falecidos, segundo o doutor da Igreja, suavizariam a condenação pela bondade divina….

Teólogos “oficiais” ou fanatizados, defendem a tese de que o Purgatório é um lugar à parte baseados numa interpretação forçada de texto no Livro do Apocalipse (21,27), prescrevendo que na “cidade santa”, na “nova Jerusalém (…) não entrará nada de impuro”.

Para mim, esse “lugar à parte” está nas UTIs dos hospitais referidos pelo grande orador e pensador paraibano Alcides Carneiro, discursando ao inaugurar um deles: “Esta é uma casa que por infelicidade se procura, mas por felicidade se encontra”.

Por infelicidade, procurei tratar-me da grave enfermidade que sofri e por felicidade, passei por dois hospitais. O meu padecimento levou-me a lembrar-me dos meus tempos “subversivos” de militante da imprensa, quando “O Pasquim” criou o termo “Máfia de branco” em voga nas conversas de botequim.

A locução baseava-se a imagem negativa da categoria, fomentando greves na Previdência ou cometendo erros pontuais com cirurgiões esquecendo pinças na barriga do paciente ou clínicos receitando remédio trocado por engano.

Meus contatos com médicos diferem desses antigos conceitos. No caso em pauta, devo-lhes à volta da saúde, para não ir ao extremo alegando a manutenção da vida, que tanto amo.

Na minha opinião, a “Máfia de Branco” reúne, na verdade, os donos de hospitais e clínicas em geral, que comercializam – este é o termo – a doença. É a ganância que transforma as UTis num Purgatório, não os profissionais de saúde, médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e pessoal de serviços gerais.

Pairando sobre tudo normas e ostensiva burocracia. Para receber uma alta, normal, prescrita pelo médico plantonista é um pesadelo. Louco para sair e vê apreensivo o tempo se multiplicando. Sem qualquer explicação convincente. Sai da UTI para um quatro, medida já anunciada, graças à minha mulher, que rodou a baiana apoiada pelos filhos.

Neste cenário temos a genial visão de Dante Alighieri, para quem o meio termo entre o Céu e o Inferno, o dogmático Purgatório, fica lá para as bandas da Antártida, numa ilha que tem uma grande montanha no centro, que sobe até alcançar os céus: o Monte Purgatório.

É para lá que eu gostaria de mandar com passagem somente de ida, os comerciantes mafiosos da Saúde, como também a quem – em nome de mais de 700 mil mortos pela covid 19 -, incluo a recente aquisição da política necrófila, os negativistas.

 

POPULISMO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Fazer-se amar de modo aos que lhe devam benefício, cortesias ou por combater um inimigo invisível” (Maquiavel)

Como parece estarmos de volta à exaltação da Cultura, lembrei-me do presente que o Teatro nos dá, desde a antiga Grécia, quando Eurípedes escreveu “Hipólito” (Ιππόλυτος) com um tema que se tornou clássico com a obra da Racine “Fedra”.

Na versão dos dois, temos uma tragédia ambígua descrevendo a desventura de Fedra que era esposa de Teseu e se apaixonou por Hipólito, filho ilegítimo do marido, propondo-lhe a consumação desse amor. Hipólito recusou-lhe.

A ambiguidade da interpretação mitológica em que um aceita e outro nega, leva-nos a ver com tristeza como foi divulgado o relatório do Ministério da Defesa sobre as eleições – onde jamais deveria ter se metido -, acendendo uma vela a Deus e outra ao diabo.

De um lado, assegura a legitimidade das urnas eletrônicas em nome da verdade que, segundo o Boletim do Exército, “é o símbolo da honra militar”; mas, do outro lado, serve à insanidade do Capitão-Presidente, levantando a hipótese sobre um tal “código secreto”.

De secreto já temos o mergulho na impunidade com os sigilos de cem anos e o orçamento camuflado dos picaretas do Congresso Nacional; agora, inventam outro para satisfazer as loucuras golpistas da seita bolsonarista….

A turma adoradora dos deuses das Rachadinhas deveria se preocupar em fazer oposição ao eleito, Lula da Silva, sem deixar que o próprio partido dele, o PT, se encarregue disto. Basta aproveitar-se da experiência que tivemos com Bolsonaro, que se derrotou a si mesmo, adotando os desvarios extremistas aconselhados pelos filhos.

Para combater Lula, que se comece a vê-lo como o Rei da Demagogia, começando a fazer malabarismos para driblar a Lei e arrancar dinheiro do contribuinte, na ânsia de pagar as promessas demagógicas da campanha eleitoral.

… E já que comecei surfando nas ondas dos mares Egeu e Jônico, que banham a Grécia, vou à figura de Midas, rei da Lídia, que entrou no disse-me-disse do folclore ocidental pela riqueza  imensa e distribuição para os intelectuais de sua época vultosas quantias.

Por uma concessão de Baco, em tudo que Midas tocava virava ouro; por isto, a sua querida filha Phoebe transformou-se em estátua de ouro ao encostar nele. Imitam-no os populistas fascistóides (não importa a ideologia que adotem, sejam de direita ou esquerda), que se apossam da riqueza nacional para se valorizar e manter o poder.

Tivemos um presidente derrotado na tentativa de reeleição, o capitão Bolsonaro, que se inflou na política praticando o sindicalismo fardado, investindo contra o Erário; e o presidente eleito, Lula, cuja política se limita a distribuir com o dinheiro público esmolas  para as camadas da população sem mobilidade no mundo do trabalho.

É assim que se dissemina a pandemia populista latina (cuja febre tem alcançado também na Europa francos, normandos e saxões). E o princípio desta demagogice é a dúbia e insegura escolha entre a responsabilidade fiscal e a responsabilidade social.

Assim termina-se na irresponsabilidade de conquistar adeptos e comprar votos para a futura eleição. Nisto são acompanhados de comparsas capazes de tudo, seja na sordidez da corrupção ou na prática neonazista do racismo e da xenofobia.

Na auto-assumida “esquerda” ouvimos declarações enfáticas de Lula de seguir na trilha pantanosa da irresponsabilidade fiscal, e a sua equipe sedenta de privilégios defendendo a insensata multiplicação de ministérios. Dá-se assim o toque de alerta para quem espera mudanças políticas; no campo da economia, já assusta e desgosta o Mercado.

Não é preciso pegar carona em caminhões nem os usar para bloquear estradas para enxergar esta realidade; basta-nos pegar metrô e ônibus, ir à feira, à farmácia ou ao supermercado, para ver “entre as orelhas” as reações humanas. Principalmente dos que usam camisetas partidárias….

De ambos os lados se vê hordas de apoiadores com levianos argumentos para justificar as cabulices dos seus líderes, e no “andar de cima” o que se assiste é a vergonhosa corrida para se “quentar” na fogueira do poder, chaleirando o presidente eleito e decepcionando o presidente que caiu.

 

 

 

SICÔMORO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Ao entregar Jesus, Judas entregou a si mesmo. Quem não segue o Caminho da Justiça, encontrará o caminho da morte sem retorno à vida: a forca, o suicídio” (Frei Jacir de Freitas Faria)

Numa leitura bíblica das Crônicas, encontrei no 1:15, a estranha palavra “Sicômoro” referendada na citação: “… E fez o rei que houvesse ouro e prata em Jerusalém como pedras; e cedros em tanta abundância como os sicômoros que há pelas campinas”. É bem possível que o erudito professor gaúcho José Carlos Bortoloti já o tenha incluído no seu brasilês….

Da minha parte, aprendi na rápida pesquisa feita que Sicômoro é uma árvore da família “Fícus” muito citada na Bíblia e vulgarmente conhecida na Europa como sicômoro, de origem hebraica “shikmah” através do grego “sukomorea“.  No Brasil encontramos a mesma grafia.

A Botânica classifica como Ficus sycomorus L. para esta espécie de figueira com raízes profundas, ramos fortes e frutos comestíveis; é nativa da África, onde no antigo Egito teve a sua madeira usada para fabricar estátuas e sarcófagos.

Originário das regiões tropicais e meridionais africanas, o sicômoro foi para o Oriente Médio e, embora seus figos sejam de qualidade inferior, teve seu cultivo na Península Ibérica na ocupação árabe, ficando conhecida como “figueira-doida” ou “figueira-do-faraó”.

Segundo os Evangelhos, o Sicômoro foi a árvore em que Zaqueu trepou para não pagar impostos; e Jesus Cristo que por ali passava viu-lhe, e ordenou que descesse porque queria ser seu hóspede. Zaqueu saltou e o cobrador de impostos acompanhou-o junto ao Messias até a casa.

Conscientes, os puros de espírito que creem na harmonia universal, sabem que renascemos todos os dias e incorporamos a necessidade espiritual de louvar a vida. Negá-la é uma aberração; violentá-la é enfermiço; torturá-la é um crime.

Assim, como pode um autêntico cristão ser contra o combate às endemias que provocam a morte, negando as defesas vacinais contra os vírus, e aceitando aplausos à tortura?

Nem mesmo aqueles que são acusados de ateus cometem este crime. Lembro de um antigo senador espírita de Goiás, Domingos Velasco, que após uma visita à China comunista, muitos anos atrás, disse que lá encontrou mais espiritualidade e respeito à existência, do que entre os auto-assumidos cristãos do Brasil.

Naquele tempo, Velasco se referiu aos católicos brasileiros que se metiam na política através da Liga Eleitoral Católica; hoje, sem medo de errar, podemos estender sua observação aos evangélicos politiqueiros.

Não há maior fraude do que usar o nome de Deus em vão. Fazem melhor os judeus que tratam o Arquiteto do Universo como “o inominável”, e os selvícolas que silenciam diante dos fenômenos da natureza como expressão divina.

É bom lembrar que por sua traição a Jesus, Judas Iscariotes, arrependido, se enforca num sicômoro tirando a própria vida. Deixou a sentença de que a traição é um peso na consciência que o traidor carrega pela vida inteira.

Não resta dúvida de que se dará com os traidores da Pátria que desrespeitam a Constituição, sem aceitar o resultado da eleição pelas urnas comprovadamente corretas e eficientes. São intolerantes, tatuados de insultos institucionais e obsessões paranoicas, desrespeitando o resultado adverso ao que esperavam.

Infelizmente não ficam sós à sombra do Sicômoro da Politicagem. Vemos ao lado da polarização inconsequente, a intransigência estúpida da presidente do PT, Gleise Hofmann, agredindo o bispo Edir Macedo, e a elegia do petismo à corrupção, com a presença de José Guimarães na equipe de transição de Lula.

Os defensores da Democracia e da Liberdade repudiam todos que promovem badernas e a intolerância assumindo-se “de direita” ou “de esquerda”. Os patriotas autênticos esperam uma demonstração cívica de respeito de ambos, pondo-se “dentro das quatro linhas da Constituição”.

 

 

INDIFERENÇA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“O pior pecado contra nosso semelhante não é o de odiá-los, mas de ser indiferentes para com eles ” (Bernard Shaw)

No noticiário televisivo da Record, assistimos um casal sendo assaltado por bandidos e pessoas passando indiferentemente do outro lado da calçada; também não faz muito tempo que lemos uma matéria sobre automobilistas que corriam na pista sem se perturbar com um cadáver estirado no chão.

Parece vivermos nestes começos do século 21 um doentio desvio moral dos homens, em todos os níveis da vida cotidiana, principalmente nos círculos religiosos. Entre nós, os auto-assumidos cristãos, com bíblias de bolso condensadas, escapulários, cruzes, imagens e medalhinhas, trocam a crença em Deus pela adoração a políticos e o discurso de ódio contra os que não seguem a sua crença….

Esquecem da onisciência divina que Jesus Cristo pregou. Não distinguem que o Deus dos cristãos é a bondade personificada enquanto o Deus dos judeus é vingativo: basta lembrar das sete pragas do Egito, em que Jeová com suas pragas não poupou sequer as crianças, condenando-as à morte.

Mais odiento ainda é Zeus, deus supremo da mitologia grega, que mandou um abutre dilacerar o fígado de Prometeu para puni-lo por sua bondade com a humanidade dando-lhe o fogo roubado do Olimpo.

O amor e a bondade pregados pelo Cristo diferem das ações dos deuses mitológicos, e talvez por isto sofram o alheamento das seitas fraudulentas que lutam pelo poder político. Que coisa triste! Como pode uma pessoa que se diz seguidora dos Mandamentos, desconhecer o Sermão das Beatitudes?

Porque não gritam “Excelsior! ”, ou façam como Napoleão, que no exílio de Santa Helena releu o Sermão e comentou com seu ajudante-de-ordens: – “Acredite-me; eu conheço os homens e vejo que este discurso não pode ser de nenhum deles. São palavras de um Deus”.

O falso cristão, ambicioso e sedento de privilégios foi capaz de trocar a crença no Eterno por um transitório governante. Sua consciência conservará a memória do próprio fanatismo político desdenhando da pandemia que matou mais de 700 mil vidas. Jamais esquecerá que naquele momento doloroso, ajoelhou-se para personalidades e não para o seu deus.

Recordando este “crente”, não é difícil afirmar que o “cristão negacionista” não é uma pessoa de fé. Não segue o Cristo, que disse: – “Eu sou o caminho, a Verdade e a Vida”, e que pelo Messias o caminho é o comportamento social que valoriza a humanidade; a verdade será a honra individual que repugna a falsidade; e a Vida é a generosidade divina, que deverá ser preservada em qualquer circunstância.

Diante das repetidas fraudes religiosas, achamos que as chamadas ciências ocultas valem mais do que uma bíblia impressa com a fotografia de um ministro e de pastores corruptos que muitos seguem por ignorância ou indiferença.

Na famosa Tábua da Esmeralda, Hermes Trismegisto – Três Vezes Grande -, definiu Deus dizendo que “é uma esfera, cujo centro se acha em toda parte e a circunferência em nenhum lugar”.

O Deus de Trismegisto não tem o rosto que muitos querem dar-Lhe, criando-O à imagem e semelhança do homem por elementar egoísmo…. Com a cara de um político, é o deus adotado pelos mercadores do templo, obscurantistas, negativistas e agora provando serem fascistas, desrespeitando o resultado da eleição e a Constituição.

Da minha parte não tenho o menor respeito por um deus modelado na imagem de homem; e combato, como os cristãos primitivos, a idolatria. Faço-o diante do Arquiteto da harmonia universal, que não me é indiferente. Receberá sempre a minha reverência e o meu agradecimento pela vida! …

 

 

 

O TEMPO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

”Não tem como esconder a verdade, nem tem como enterrar o passado, o tempo sempre vai elucidar tudo” (Chaplin)

A melhor vacina contra o stress está em nossas mãos sem que saibamos. É a espera do tempo passar e recuperar-se a cada hora que passa. Vai-se tranquilamente lubrificando o corpo e a mente para tudo ficar bem.

Sujeita ao autocontrole, a ansiedade passa, mas é preciso ter paciência porque, como escreveu Shakespeare, “o tempo é muito lento para os que esperam; muito rápido para os que tem medo; muito longo para os que lamentam; muito curto para os que festejam; mas, para os que amam, o tempo é eterno”.

Ocorre, porém, que ao mesmo tempo em que o tempo traz benefícios, corrói a memória. Hoje trago o número do meu celular anotado, enquanto 70 anos atrás, da minha turma de 90 alunos no curso de Direito, eu tinha de cor o nome de quase todos os colegas, sua origem geográfica e o número de quem tinha telefone….

Assim, pela memória enfraquecer, já não me lembro se publiquei anteriormente a fantasiosa definição do tempo que o poeta persa Saadi Musarriff, descreveu-o para o filho adolescente; por via das dúvidas, faço-o de novo:

“Existe uma ilha montanhosa no meio do oceano. De mil em mil anos pousa-lhe um pássaro pela madrugada e bica o solo rochoso durante todo o dia, e volta à noite para onde veio com um grão de areia no bico. Mil anos depois, retorna cumprindo a mesma tarefa, e quando tiver assolado toda ilha, terá transcorrido o primeiro dia da eternidade”.

Citei o pensamento como a memória guardou como a Esperança no fundo da caixinha de Pandora depois de todos males do mundo se derramarem nos ares, mas sei que o recado está dado para os que desdenham do tempo num permanente feriado da mente.

Para estes, a visão do Eterno é um ouro de tolo que reluz sem nenhum valor. Embora muitos tenham decorado versículos inteiros da Bíblia, ignoram que o Deus que dizem adorar exige o cumprimento de Suas leis, o que não fazem por fanatismo partidário, fechando os olhos para a violência política e aplaudindo a tortura ditatorial.

Aos falsos cristãos (vendilhões do templo ou crentes de butique) nunca é demais lembrar que não se pode esconder a verdade, nem varrer para debaixo do tapete o que se faz, porque o tempo revelará tudo.

O arrependimento tardio pouco adiantará para o castigo que vem da consciência e fustiga o transgressor que não ouvirá a harmonia celestial. O Deus dos judeus e dos cristãos é um guardião feroz (está nos textos sagrados) de suas diretrizes e castiga quem os despreza.

Para cada um de nós, o tempo é uma fortuna que devemos amealhar do mesmo jeito como a plena atividade física e mental e o amor à vida. Gastar o tempo de graça é uma bobagem imperdoável. O tempo deve ser aproveitado ao máximo, como eu refleti nas 72 horas que passei numa UTI fazendo testes para ver como está funcionando o coração….

Nunca imaginei que ao sair – como um refém liberto do cativeiro – me deparasse com a insanidade golpista posta em prática pelo psicopata Bob Jeff. Nada me afasta a ideia de que tudo foi planejado e felizmente não deu certo.

O vanguardeiro desastrado do bolsotrumpismo golpista mantinha em casa um arsenal com metralhadoras e granadas; e convocou seus sabujos para apoiá-lo. Esses apoiadores não são cúmplices? De onde vieram as armas mortíferas e munições?

A investigação deve ser acurada. Não devemos desistir de apurar a verdade embutida na condenável resistência â uma medida judicial e no enfrentamento criminosos contra a Polícia Federal, cumpridora do mandato.

VERDADE

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“A verdade e a mentira são construções que decorrem da vida no rebanho e da linguagem que lhe corresponde” (Nietzsche)

A cada dia que se passa nos meus 89 anos de existência mais eu me convenço de que a Verdade não é um campo de treino para acrobatas, dançarinos, nem uma sala de estudos para romancistas e poetas. Fica melhor na estante dos filósofos….

A origem deste substantivo feminino é muito antiga; vem do grego (aletheia), do latim (veritāte) e do hebraico (emunah): “Aletheia se refere ao que as coisas são; veritas mostra os fatos como ocorreram; e, emunah sugere ações e coisas reais.

O significado de Verdade exprime a coisa certa, uma representação fiel; evidencia tudo o que é sincero, ausência de mentiras. Usa-se nas argumentações uma expressão que chamamos “meia verdade”, uma premissa que não é falsa, mas que oculta alguma informação. Há um ditado popular que reza “a mentira só dura enquanto a verdade não chega”.

Na crônica “Pílulas” o escritor ítalo-argentino, Pittigrilli, de quem fui leitor compulsivo, escreveu que La Rochefoucauld nas suas máximas fez malabarismos com seus conceitos, “afirmando verdades relativas”; e completa seu comentário dizendo que verdades relativas não passam de “meias-mentiras”….

Este estudo condensado sobre a Verdade nos lembra que nos dias atuais a sua presença está esvanecendo no mundo; e rareia cada vez mais na vida política. Principalmente no Brasil.

A História nos traz muitos exemplos do reconhecimento e premiação da Verdade; lembro uma passagem com o “déspota esclarecido”, amigo de Voltaire, Frederico – O Grande: “Assistia o rei da Prússia a ida de um condenado à morte ao patíbulo, e reconheceu-o como um dos seus antigos suboficiais. Mandou que o aproximassem e perguntou-lhe: – “O que fez você? ”. Gaguejante, o preso disse: – “Roubei uma galinha, Majestade”.

– “E por uma galinha de tão pouco valor, você arriscou a vida? ”. O antigo suboficial replicou timidamente: – “Por Vossa Majestade, arrisquei muitas vezes a vida por dez cêntimos ao dia….”

O grande Frederico não titubeou em perdoá-lo em nome da Verdade: – “Deixem-no em liberdade”, ordenou, e mandou ressarcir o dono da galinha com vultosa quantia.

Assim, a Verdade pesou na balança da Justiça, coisa que as firulas jurídicas entre nós pervertem; temos certos juízes anulam processos por uma vírgula a menos, e soltam os corruptos condenados.

Inoportuno e nocivo também no chamado “País do Futuro” é o triunfo das meias-mentiras que entram em decretos suspeitos pondo em sigilo de 100 anos ações dos amigos do governo federal e familiares do Presidente. É certo que não há verdades absolutas, não existe, porém, qualquer dificuldade em se revelar a falsidade.

A liberdade de Lula e os dribles escapatórios dos sigilos de Bolsonaro, postos em debate mostram no cenário eleitoral as acusações mútuas que ambos fizeram no debate da Band…. Os brasileiros que os assistiram ouvindo verdades um sobre o outro e vice-versa, certamente “a Verdade os libertará…. ”

Diante da situação que vivemos, cresce-me a dúvida sobre o que é mentira ou verdade. Assumo o centro político ficando entre Pôncio Pilatos e Nietzsche. O romano, julgando Jesus Cristo, indagou a si mesmo o que é a verdade, e o genial alemão perguntou de si para si o que é a mentira….

 

 

 

 

STRESS

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Bem-aventurados são os dóceis, porque eles herdarão a terra” (Jesus Cristo – O Sermão das Beatitudes)

A psicanálise freudiana aponta uma das neuroses doentias como “Neurastenia”, cujos sintomas provocam excitação emocional; e, nos fins do século passado apareceu outra versão, o Stress, a exaustão emocional com consequências físicas.

Pela sua origem, e posteriormente como sequela da covid-19, o Stress traz consequências mentais que afetam a qualidade de vida, provocando tensões. A palavra dicionarizada, Stress ou Estresse é um substantivo masculino originário do idioma inglês significando “tensão”, “pressão” ou “insistência”.

No Brasil adotou-se Estresse, enquanto em Portugal foi mantida a sua versão inglesa Stress, para definir a reação do organismo humano a agressões externas provocada por ansiedade, desassossego, excitação, frustração, impaciência, inquietação e preocupação.

Primo da Neurastenia, o Stress afeta o bom humor das pessoas. O seu tratamento psicoterápico é analítico; mas, paralelamente, há inúmeras indicações como a meditação e ervas de efeito tranquilizante. Nos Estados Unidos vem se usando em larga escala o canabidiol.

Pelos exemplos à volta, vê-se que não é fácil escapar do risco em adquirir a enfermidade, como é difícil de se libertar dela. As condições pessoais e sociais têm grande importância para a sua origem e o seu fim.

Ocorrências pessoais com relação a outrem provocam tensões, como o ciúme, a desconfiança, as paixões e os vícios. Entretanto, tudo é curável como demonstrou Jesus Cristo ao ser provocado pelos fariseus com a mulher pegada em adultério….

Só lembrando que Ele foi inquirido sobre a Lei de Moisés que manda apedrejar a adúltera. Contam as escrituras que Jesus abaixando-se pôs-se a desenhar a terra com o dedo e ergueu-se depois, com uma pedra na mão exclamou – “O que de vós estiver sem pecado, que atire a primeira pedra”, e novamente ajoelhou-se voltando as desenhar na areia.

Passado um tempo e como ninguém tomou a iniciativa e todos se afastaram, o Nazareno ergueu-se, e virando-se para a mulher perguntou-lhe: – “Ninguém te condenou? ”, e ela respondeu: – “Não, Senhor”, e levou o Mestre ao próprio julgamento: – “Então, eu tampouco lhe condenarei; vai, e não peque mais”.

Essa parábola comove; e na nossa sensibilidade perguntamos aos adúlteros da verdade, como a “Senadora Brasiliense” (que vergonha!) Damares Alves, com a sua libido pervertida continuará a evocar mentiras para se exibir como defensora da moral. É um quadro da neurose atual, o “companheiro” Stress.

Quando apareceu no cenário político pelas mãos de obscurantistas religiosos, Damares disse que viu Cristo sentado num galho de goiabeira; por não ofender ninguém, foi uma alucinação perdoável; mas se continuar mantendo o pecaminoso adultério da verdade não receberá perdão sequer com benzedura de pastores oua água benta de padres ….

Diante deste quadro, não me canso de lembrar o notável pastor batista e ativista pelos direitos humanos, Martim Luther King, que disse: “a religião mal-entendida é uma febre que pode terminar em delírio”, um recado direto aos delirantes maníacos depressivos fanatizados politicamente.

A obsessão sexual da Ex-Ministra, é a radiografia de corpo inteiro do Governo Bolsonaro. Elegeu-se apoiada pelos eleitores de Brasília para o Senado. Para estes faço uma paródia de Brecht: – “os que votam pelo desvario da demência não se enganam, igualam-se na libertinagem”.

… E se esses eleitores são “crentes”, certamente desconhecem o alerta do Sermão da Montanha em que Cristo os amaldiçoou dizendo: – “Vós sois o sal da terra; e, se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta, senão para se lançar fora e ser pisado pelos homens”.

 

 

ANTIGAMENTE

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Antigamente usava-se canonizar os heróis; hoje vulgarizamo-los” (Oscar Wilde)

Recordar coisas antigas, histórias ouvidas dos pais, registros históricos colhidos na escola ou grifadas em livros de segunda mão, mexem com a nossa cabeça. De uma dessas fontes publiquei num dos meus artigos o que considero um dos exemplos clássicos do obscurantismo religioso.

Ocorreu numa visita que o célebre geógrafo alemão Alexandre de Humboldt, apaixonado pelas ciências naturais, visitando o papa Alexandre VII, seu contemporâneo do século 18, e ouviu dele o disparate de que os meteoritos eram pedras que caíam de uma fenda na abóboda celeste.

O triste é que não são apenas coisas de antigamente. Ainda hoje mentes refratárias à realidade fazem coisas idênticas; por exemplo, revolta-me saber que as Testemunhas de Jeová são contra a transfusão do sangue, levando pessoas necessitadas deste procedimento à morte…

É a contradição entre o amor pregado pelo Cristo e a desumanidade negativista da Ciência, coisa que vem ocorrendo entre nós com alguns pastores evangélicos que, por opção política, combatem a vacina contra a covid 19.

Lembro o grande Einstein dizendo que a distinção entre passado, presente e futuro é apenas uma ilusão teimosamente persistente, provocando ilações para o raciocínio lógico.

Antigamente, na Grécia e na Roma considerava-se a Justiça uma deusa personificada por Themis, filha de Urano (Céu) e de Gaia (Terra); e bem mais tarde, quando os reinos da Inglaterra e da Escócia se aliaram, Malcolm IV assumiu o trono escocês.

Coroado, Malcolm reuniu os nobres do reinado e recebeu de um barão petição para recuperar os privilégios que perdera anteriormente; então pegou o pergaminho apresentado e mesmo sem o ler, rasgou-o.

O barão recorreu ao tribunal parlamentar que baixou uma inusitada sentença, mandando que o Rei, diante da corte, cosesse com agulha e linha o documento e assinasse a patente. Vê-se que então (no século 12) a Justiça, mesmo sem ser divina, funcionava.

Muito diferente dos dias atuais, quando a política adentra nos tribunais e a Justiça sai pela porta dos fundos…. E por isto, a desgraçada impunidade de criminosos é imposta, como vimos em relação aos corruptos condenados pela Lava Jato.

Falar sobre a Justiça é como girar numa roda gigante de baixo para cima e vice-versa; acusa-se elegantemente a pouca intimidade de muitos magistrados com o direito romano, o código processual inglês e a Constituição dos EEUU.

Não tomam conhecimento dos tribunais de exceção, nem a barbárie nazista estabelecida por Hitler, que escreveu no seu Mein Kampf que “o poder não se mantém com piedade”, e com Himler e Streicher montou os campos de concentração legalizando a escravatura, a tortura e a morte.

Na minha opinião, para ser jurisconsulto ou especialista no Direito positivo seria necessário, além de ralar a bunda na banca de estudos e folhear apostilas e livros, deveriam também conhecer os clássicos da literatura mundial. Aguçando assim a sensibilidade para os direitos humanos.

Para bem julgar com independência e humanidade,os juízes precisariam conhecer o poema do poeta norte-americano Carl Sandburg, que perguntou qual será a família dos homens no futuro; e ele próprio respondeu poeticamente:

“Só existe um homem no mundo/ E se chama Todos-os-Homens/Só há uma mulher no mundo/ E se chama Todas-as-Mulheres/ Só vive uma criança no mundo/ E se chama Todas-as-Crianças. ”

 

 

 

 

 

ABANDONO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Quem abandona a luta não poderá nunca saborear o gosto de uma vitória” (Textos Judaicos)

Sempre, em toda época e em todo lugar, aparece um curioso importuno. Outro dia li a notícia de que certa pessoa escreveu para o Papa Francisco perguntando se Deus era mesmo brasileiro. Essa alegoria é de tal modo repetida que se traveste de verdade, dando razão ao ministro nazista da Propaganda, herr Goebbles.

Até o momento em que escrevo este texto, não tomei conhecimento de que Francisco tenha se dado ao incômodo de responder ao missivista. Interessante é que andei matutando sobre o caso e acho que o abelhudo indiscreto merece uma resposta.

Se Deus é brasileiro ou não, pouco importa; mas seu filho Jesus Cristo no sofrimento da cruz, perguntou-Lhe com toda santidade: – “Eloi, Eloi, lamma sabactatani?”; (“Deus meu, Deus meu, porque me abandonaste? ”).

Este abandono sofreu o povo brasileiro nas eleições; foi chicoteado e condenado a carregar a pesada cruz da insanidade polarizada onde ficará pregado pelos próximos quatro anos. Este quadro reflete a pergunta do Nazareno, abandonado pela Providência Divina.

Do alto do martírio a cidadania assistiu a cena macabra da escolha entre o ruim e o pior entre corruptos populistas, diferentes apenas pelos rótulos de direita e esquerda auto-assumidos, mas semelhantes pelas práticas.

Eis o exemplo que as urnas nos deixaram junto com o direito de perguntar ao Arquiteto do Universo na sua onisciência e onipotência, o porquê abandonou o povo que O aceita contrita e carinhosamente entre os seus nacionais.

Não foi difícil assistir a realidade – não das pesquisas enganadoras -, mas no giro de uma roleta com a bolinha de marfim atestando o número vencedor sob o olhar angustiado dos jogadores.

A bolinha saltitante atestou o fim da primeira etapa do jogo eleitoral, jogo que sabemos não é recreativo nem divertido, mas  recorda a constatação do matemático Bertrand dizendo que “a bolinha não tem consciência nem memória”.

Nem sempre os números perseguidos na mesa verde, sejam pares ou ímpares, vermelhos ou pretos, repetem-se sempre; fogem incoerentemente muitas vezes, negando as apostas. E o pior se dá quando as combinações extravagantes, misturam os cálculos políticos e a fé religiosa….

Será justo, porém, abandonar as apostas no destino por um resultado negativo? Na minha opinião, não; devemos insistir, mesmo sabendo que nunca será encontrada a fórmula matemática de se ganhar na roleta giratória.

A insistência em fugir do tormento de termos governantes egocêntricos, populistas e corruptos, evita que a eleição seja um jogo dos partidos “sopinhas de letras” e das ideologias inautênticas, mas gelatinas coloridas para aguçar apetites.

As urnas eletrônicas mostraram ser confiáveis. Se os eleitos não o são, a culpa é do eleitor masoquista que adota bandidos de estimação e goza com o sofrimento; o voto consciente e patriótico porém, ao contrário, exige educação e amor-próprio.

O futuro não é uma roleta girando, mas a consequência da ação política cidadã. Para que ele nos chegue radiante, com liberdade e justiça, devemos adotar o que ensinou Ulysses Guimarães: “A Pátria não pode se tornar capanga de idiossincrasias pessoais”.