Artigo saído n’ O Metropolitano. Nas bancas
O risco da imprensa é denunciar a corrupção
MIRANDA SÁ, jornalista (mirandasa@uol.com.br)
Lula da Silva – eterno esquecido do seu passado – vive a fazer declarações condenando a imprensa, com argumentos vários, falando de sensacionalismo, precipitação na análise dos fatos e condenação antes de julgamento. Essas tiradas acontecem sempre que ele está defendendo um corrupto.
O caso mais atual é a defesa do presidente do Senado, José Sarney, aquele mesmo que Lula, quando era um deputado (medíocre) acusou de “maior ladrão da República”. Uma das famosas “bravatas” para uso externo, como seu mais novo amigo de infância, Fernando Collor, quando combatia os marajás.
Talvez as “bravatas” sejam um dos elos de ligação entre o presidente e o ex. Há muitos outros pontos que os aproximam, desde os amigos corruptos até a arrogância personalista de candidatos a ditador.
Atacar a mídia também é um costume de Collor – que foi defenestrado do poder pelo povo brasileiro, revoltado com os escândalos do seu governo. No caso do colega hoje à frente da Nação, não seria necessário atacar a mídia para defender Sarney. Ocorre é que se aproveita da defesa de Sarney para condenar jornais e jornalistas, como meta totalitária.
Na realidade são poucos governos capazes de conviver com o jornalismo investigativo, cujo símbolo internacional é o Washington Post assumindo o caso Wattergate. Os governantes não convencidos de respeitar a Democracia, fraquejam quando informações críticas ou denúncias sobre autoridades viram manchetes. Eles sabem que teem um pé no lodaçal do patrimonialismo.
O poder corrompe 99,9% dos que sentam na cadeira presidencial. Sua crítica à imprensa tem mão dupla: vem dos que participam de ilícitos e vai aos que sonham em assumir um regime totalitário. Os corruptos e os falsos revolucionários se dão bem nessa parceria.
Quando aos jornalistas, reconhecemos que às vezes cometem o equívoco de trocar a editoria política pela crônica policial e vice-versa. Mas, sem nenhum corporativismo, a culpa é menos do pessoal de imprensa do que dos políticos.
E quando falo de políticos não vejo apenas os que teem votos e se elegem para assumir posição no Legislativo ou no Executivo; falo também dos administradores por eles indicados, os célebres jabotis (Geochelone denticulata) colocados em galhos da frondosa árvore governamental.
Piores do que o Jabuti-piranga ou o Jabuti-tinga são os arrivistas e oportunistas representados pelo folclórico “Laranja”, suporte para todos os malfeitos que agridem a honestidade, dos desvios de verbas ao assalto aos cofres públicos.
Esses tipos, cujos modelos personalizados são Waldomiro Dinis e Severino Cavalcanti e os clichês coletivos dos aloprados, sanguessugas e mensaleiros deveriam mesmo estar nas páginas policiais, nas manchetes escandalosas e na capa das revistas marrons.
Até o Presidente, alinhado com àqueles que antes denunciava, tornou-se o 301º Picareta. O que é lamentável é o PT – com um passado de lutas contra a falta de ética e a corrupção seja obrigado a rasgar a sua história e defender Sarney, aceitar Jucá e Renan, e aplaudir Collor.
Estas considerações trazem o risco de sofrer retaliações. É o mesmo risco da imprensa por denunciar a corrupção.
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