Artigo saído n’ O METROPOLITANO

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 Brasil tem também seu

caso de Irã-Contras

MIRANDA SÁ, jornalista

Imaginem a gente rememorar o caso Irã-Contras, tão antigo, que abalou a credibilidade da CIA e praticamente o governo norte-americano. Ali se desvendou todo o seriado da corrupção, abuso de autoridade, permissividade, formação de quadrilha, alcance de verbas públicas e falsificação de documentos oficiais.

No Brasil temos também um caso Irã-Contras. Não tem semelhança com o outro, mas traz à tona alguns itens que merecem ser analisados, criticados e combatidos. Um deles é a formação de um milionário e influente grupo de pressão para impedir a aproximação do Brasil com um dos mais importantes países do Oriente Médio.

Este relacionamento diplomático que a soberania nacional garante, projeta uma excelente convivência comercial, abrindo portas para os produtos brasileiros num novo e amplo mercado cuja população é rica de ávida em consumir a produção agro-industrial e industrial brasileira.

Mas meia dúzia de judeus ortodoxos a serviço da reação israelense protestam. Não faz grandes manifestações, pois não conta com o apoio da maioria dos judeus brasileiros, cujo interesse é viver bem e em paz, sem trazer do outro lado do Atlântico os problemas que infelicitam os povos israelense e palestino.

Se não reúnem multidões, têm dinheiro para fazer a agitação necessária para influenciar a opinião pública. Aliás, uma opinião pública fácil de levar, por ignorância, por qualquer demagogia enfeitada pelos jornais televisivos.

Juntam-se à ortodoxia sionista aliados conseqüentes, as transacionais com sede nos EUA, interessadas em manter o Brasil no quintal sul-americano, dependente da influência estratégica do complexo industrial-militar norte-americano.

Aí a propaganda cresce. Divulgam-se dados sobre a situação interna do Irã e as opiniões – muitas vezes extremistas de Mahmoud Ahmadinejad contra a repressão política e ação militar de Israel contra os palestinos. Fala-se que seria inoportuna a visita do presidente iraniano ao Brasil e de direitos humanos.

Mas nenhuma dessas entidades protestou quando Lula visitou e exaltou ditadores africanos que nada ou muito pouco significo para a economia brasileira e contribuir para a projeção internacional do Brasil. É a tal coisa, são “direitos humanos” manipulados ao sabor de interesses grupistas.

Uma convergência Brasil e Irã tem tudo a ver. É referencial para a ascensão dos países emergentes e a liberdade de comércio. Assim, o Itamaraty deve manter o convite ao governo iraniano, Ahmadinejad ganhando ou não as eleições de julho que decidirão sobre a sucessão presidencial no Irã.

A verdade é que o Brasil já está no tempo de aprender aquilo que os romanos ensinavam: além das nossas fronteiras todos são bárbaros. Israelenses, norte-americanos e iranianos. Todos devem ser bem tratados e convidados a visitar-nos. A diplomacia existe para aparar arestas e conquistar amigos que nos interessem.

Superar as contradições e facilitar conexões políticas e comerciais é uma tarefa patriótica. Não nos interessa as más relações entre israelenses e iranianos ou o programa nuclear desenvolvido pelo Irã. Se Ahmadinejad nega o holocausto ou desautoriza a Agência Internacional de Energia Atômica, é problema dele.

 O que não podemos é ser levados pelas rédeas do lobby de religiosos sectários judeus ou dos interesses norte-americanos. Força para o Itamaraty e para Lula agirem a favor dos interesses nacionais.

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