Artigo saído n’ O JORNAL DE NATAL
A singular beleza da Democracia
MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br
Acompanhando há muitos anos a política nacional, nas eleições burguesas e na clandestinidade das ações revolucionárias, transpondo a adolescência incendiária passei a defender como socialista, o evolucionismo democrático.
O Partido dos Trabalhadores – a princípio socialista – mostrou que era possível chegar ao poder pelo voto, transferindo para a realidade brasileira a experiência de Salvador Allende, no Chile. Se o PT não tivesse traído seus princípios e enrolado as bandeiras originais, estaríamos vivendo um belo ensaio de socialização à brasileira, como preconizava Darcy Ribeiro.
A traição nacional de Lula da Silva com seus comparsas travestiu o PT com os trajes dos coronéis e oligarcas, igualando-o aos partidos burgueses. O partido mudou os princípios organizacionais, eliminou a democracia interna e afastou os quadros de esquerda.
Mal saídos das eleições municipais, vemos que o PT é um partido eleitoralista como os co-irmãos burgueses e só tem uma vantagem sobre eles, a facilidade como elemento corruptor que é, de cooptar líderes dos movimentos populares, sindicais e estudantis. Assim, pega uma carona nas ações das entidades corporativas para fins eleitorais.
Apesar dos pesares há um ponto positivo na degenerescência petista: para viver, atuar, praticar o carreirismo, ser corrupto e corruptor, o novo petista – lulista-petista – precisa da Democracia. Se tentar qualquer arreganho totalitário sofre uma tremenda reação da sociedade letrada e pensante.
É válido para qualquer político profissional, seja de que partido for sem democracia ele é um peixe fora d´água. Morre asfixiado. É necessário então que a democracia seja praticada. O fim de uma eleição é o começo da outra. Tivemos no Rio Grande do Norte dois extraordinários praticantes deste credo, Dinarte Mariz e Aluísio Alves.
Dinarte, não conheci, mas Aluísio vivia política 24 horas. Não é por acaso que os Alves mantêm-se surfando sobre as ondas da política convencional, mas o herdeiro de Aluísio é Agnelo. Nenhuma dos outros de 1ª grandeza, o senador Garibaldi, o deputado federal Henrique e o prefeito Carlos Eduardo são estrategistas. Podem até ser bons improvisadores, mas param por aí.
Publicados os mapas com os resultados eleitorais, os partidos mais considerados, Democratas, PMDB, PSDB e PT já estão de olho de 2010. Suas credenciais são conquistas que nivelam o PSDB e o PT; a conquista da prefeitura paulistana pelo DEM e o rejuvenescimento do PMDB como grande vitorioso de 2008.
Como estes partidos irão para a sucessão de Lula da Silva? DEM e PSDB se atraem pela condição de oposicionistas parlamentares e deverão reconstituir a antiga aliança; o PT ainda está tonto por ter acreditado que Lula seria capaz de eleger um poste e o PMDB é um terreno minado.
Qualquer iniciante do jornalismo político vê que os peemedebistas em vez do regozijo pelo maravilhoso desempenho, estão atormentados pela perspectiva de um inevitável racha no partido. Os vitoriosos Requião (PR), Sérgio Cabral (RJ) e Quércia (SP) já se dividem entre Lula e Serra.
Essas duas tendências, embora baseadas em grandes concentrações eleitorais, são minoritárias no partido de Ullisses Guimarães. A grande maioria idealista ainda
sonha com uma candidatura própria.
A jornalista Dora Kramer considera que os peemedebistas que querem um candidato da legenda são vozes isoladas no meio do grosso fisiologismo que cola a maioria parlamentar a Lula da Silva. Mas um partido agigantado não pode controlar as bases. E o PMDB já surpreendeu outras vezes.
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