Artigo publicado n’ O Jornal de Hoje
O Brasil precisa aprender a ser grande
MIRANDA SÁ, jornalista (mirandasa@uol.com.br)
Quando fui passar a noite de Natal no Rio de Janeiro, encontrei a mesma turma de sempre, ruidosamente alegre e a qualquer momento rápida e eficaz para uma polêmica. A fauna é curiosa: reúne uma historiadora, dois jornalistas, uma médica, duas psicólogas, um executivo, uma professora, dois químicos, um empresário e um indigenista.
Tudo é motivo para discussão, e a mais curiosa da última reunião foi sobre a ameaça de extinção dos tubarões. Cai na besteira de dizer que estava me lixando para os tubarões, que preferia ficar do lado da rapaziada do surf do que desses predadores. Foi um tumulto! “Então, daqui a 50 anos ninguém vai saber o que foi um tubarão?”.
– “Para mim eles já vão tarde. Limparão as praias desses devoradores de gente, e só sentirão falta deles os orientais doidos pela sopa dee barbatanas de tubarão…”
Enquanto nos engalfinhávamos (verbalmente) com essas bobagens, no Suuriname um grupo de brasileiros foi atacado violentamente por surinameses por motivo fútil, uma briga por causa da dívida de um brasileiro a um surinamês.
Informa-se, sem confirmação, que na briga o surinamês foi esfaqueado e teria morrido, o que motivou a invasão do acampamento onde viviam 80 garimpeiros brasileiros, com suas mulheres e filhos.
Este fato doloroso e lastimável nos leva à reflexão da negligência com que o governo brasileiro trata os emigrados nos países fronteiriços. Muito mais preocupação a nossa diplomacia tem com os bolivianos, sobas africanos e golpes e contragolpes em Honduras do que com nossos compatriotas.
Por isso defendo a tese de que o Brasil precisa aprender a ser grande. Não custa nada os nossos dirigentes e candidatos a dirigentes estudarem a história dos grandes impérios passados e ainda sobreviventes. Deveremos aprender que a Grã-Bretanha não aceitaria leniente um ataque desse tipo aos seus súditos.
Olhando atrás, ver como o presidente Lula e o Itamarati calaram e aceitaram sem protesto a afronta do exército boliviano, arriando a bandeira do Brasil nas instalações da Petrobras, invadidas por ordem de Evo Morales.
Há ameaças aos nossos patrícios que moram, trabalham e produzem riquezas no Paraguai, conhecidos como “brasiguaios”, e não é desconhecida a situação nas fronteiras do extremo Norte, Venezuela, Guiana, Guiana Francesa e Suriname, para onde vão os nordestinos aventureiros em busca de uma vida melhor.
Um Brasil grande e forte deve estar preparado para defender nossos compatriotas. A qualquer custo, de qualquer maneira. Preferencialmente pacífica, senão…
No momento o nanico (em todos os sentidos, mental e físico) Celso Amorim juntamento com o rato de esgoto da UNICAMP, Marco Aurélio Garcia, estão mais ocupados e preocupados com a segurança de Manuel Zelaya, com a crise ecomômica que começa a se desenhar na Venezeula do chefe Hugo Chávez e com a “briga das torcidas” no Irã. Os Brasileiros que se danem.