Artigo publicado ontem n’O JORNAL DE HOJE

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Manifestações contra a corrupção

MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail:
mirandasa@uol.com.br

RIO DE JANEIRO – Acho que é importante levar aos meus leitores a informação de que no eixo Rio – São Paulo o povo não está conformado com a corrupção e a impunidade como parece pela omissão dos jornais televisivos.
Semana passada assisti, em presença, duas manifestações contra a corrupção e a impunidade em São Paulo, uma no tradicional Largo de São Francisco e outra na Avenida Paulista; numa os acadêmicos do Centro 11de agosto e n’outra secundaristas de colégios da Bela Vista e da Consolação.
Não havia grande número de pessoas, é certo, mas os passantes olhavam com simpatia, aplaudiram e apitaram a buzina dos carros em sinal de aprovação.
A verdade é que nos dias de hoje o povo não está disposto a ir às ruas como antigamente. De 1968 para cá as passeatas e os comícios foram perdendo o encanto; a sedução da juventude pelo protesto e o confronto está na Internet… São os computadores, com o orkut, seus sites e blogs, e a interação com os celulares o meio de manifestações de massa.
Do meio informático é se formará o arrastão cívico contra os malfeitos dos detentores do poder e o protesto contra Lula da Silva por estimular solidariedade aos réus da organização criminosa reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, e por defender descaradamente o arqui-corrupto Renan Calheiros.
Fernando Gabeira, com a inteligência que Deus lhe deu, exemplificou semana passada o uso da tecnologia com o que ocorreu na Espanha quando o governo de centro-direita tentou impedir manifestações populares contra o terrorismo. Pela Internet e pelos celulares as pessoas conseguiram convocar uma passeata e um comício que surpreenderam pelo grande número de manifestantes.
É assim que a massa do bolo cresce. Aqui no Rio de Janeiro, na porta de várias escolas, houve assembléias estudantis que expressaram o repúdio contra o Senado pela absolvição de Renan Calheiros.
Com as entidades estudantis e os sindicatos cooptados à custa de verbas a fundo perdidas, a expressão política espontânea leva tempo para se materializar, ainda mais que está enfrentando uma discreta campanha governamental para que a ética política seja relegada a um plano secundário.
Ontem, o New York Times publicou uma entrevista de Lula da Silva dizendo que não há provas da participação de Zé Dirceu no esquema do mensalão; dois dias antes se encontrou com Renan Calheiros e elogiou sua postura política. É esse presidente que perdeu quatro pontos percentuais na última pesquisa de opinião pública. Vamos trabalhar para que perca mais, em nome da recuperação da moralidade neste país!

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