Artigo publicado no JH 1ª EDIÇÃO

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Quem ganhou e quem perdeu as eleições?

 

                               MIRANDA SÁ, jornalista

                        E-mail: mirandasa@uol.com.br

        Os visionários que acreditaram que a popularidade de Lula da Silva elegeria “até um poste”, quebraram a cara. O Pelegão, que acolheu vaidosamente o sofisma do poste, julgou-se capaz desse prodígio e induziu a oposição tucana a acreditar no logro e fazer um armistício na guerra eleitoral.

        Uns e outros de miopia histórica pasmaram (para usar o linguajar de dona Marta Suplicy) ao ver se esfumaçar o projeto do PT-partido, tanto no plano “A” – o continuísmo –, como no plano “B” – a candidatura de Dilma Rousseff em 2010.

            Desmintam quantas vezes quiserem os chapas-branca do lulismo-petismo, mas é impossível esconder que Lula perdeu no primeiro turno, principalmente com o apoio ao bispo Crivella no Rio de Janeiro, e em Belo Horizonte, quando o seu candidato foi ao 2º turno ameaçado por um jovem político praticamente sozinho no páreo.

            Não há possibilidade de disfarçar as duas experiências negativas no 1º turno do Nordeste, onde Luizianne Lins se reelegeu em Fortaleza sem o apoio oficial do Presidente, e em Natal, onde uma onda de 11 ministros e o próprio Presidente varreu a capital norte-riograndense combatendo implacavelmente a candidata Micarla de Souza que se elegeu.

            No 2º turno, a maior derrota foi em São Paulo, com sua candidata Marta Suplicy com menos votos dos que obteve na eleição anterior; em Salvador, o petista Walter Pinheiro foi fragorosamente derrotado.  E na politizada Porto Alegre, o estrago foi enorme com a candidata do PT perdendo para José Fogaça. Além disso, não esqueçamos Santo André!

            Um editorial do Estadão lembrou que esta foi a última eleição antes da crise e, doravante, o PT-governo não viverá mais “momentos mágicos” capazes que induzir que Lula da Silva tire postes do bolso do colete e fazê-los prefeitos. Vem aí a sucessão presidencial e a ministra Dilma enfrentará uma campanha mais difícil do que a de Marta.

            Diante disso, se o lulismo-petismo aproveita as lições da História, um dos seus “teóricos” deve avisar ao amado Chefe que a crise do capitalismo chegou ao Brasil, e ele não pode continuar negando este fato. E também sugerir-lhe para afastar quem o orientou para falar que o tsunâmi financeiro não passava de uma “marolinha”.

           Os economistas do PT-governo igualmente não podem permitir que o Presidente fique ironizando o Fundo Monetário Internacional porque, ao contrário do que Sua Excelência diz o FMI voltou à cena atendendo ao pedido de socorro dos países com problemas de financiamento externo.

        O Fundo tem US$ 190 bilhões cash para cooperar com os sócios, e quem sabe se Henrique Meirelles (o único que enxerga a crise global) precisará se aproximar do execrado Fundo pedindo desculpas e arreglo. 

            Os resultados eleitorais e o correr da crise traçam caminhos paralelos do futuro político do país. A oposição (PSDB-DEM-PPS) precisa aprender que o medo é uma moita e se apresse para salvar das cinzas do rescaldo eleitoral o descontentamento criado por Lula da Silva e seus satélites.

            Quanto ao PT-partido, seria interessante voltar aos tempos da democracia interna e dar um balanço objetivo das eleições, concluindo que eleger um poste é balela. Se o partido reassumir a postura racional favorecerá a rediscussão da candidatura de Dilma, que se saiu mal quando testada eleitoralmente nos apoios dados no Rio Grande do Sul.

            Finalmente, há que se ressaltar o crescimento admirável do PMDB no último pleito. Mas esta vitória, em vez de júbilo, trouxe a angústia do partido ver-se às vésperas da explosão de um racha latente.

            Para um bom observador, os peemedebistas vitoriosos já se dividem. Requião (PR), Sérgio Cabras e Quércia (SP) separam-se, os dois primeiros com Lula e o outro com Serra. E pairam sobre suas cabeças as nuvens de expressiva maioria sonhando com uma candidatura própria.

 

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