Artigo publicado n’ O METROPOLITANO. Nas bancas

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A careta dos candidatos na tevê

Miranda Sá, jornalista

E-mail: mirandasa@uol.com.br

Tem muita gente que não gosta do programa eleitoral patrocinado pela justiça eleitoral no rádio e na tevê. Há mesmo quem defenda o seu fim – incluindo-se aí os donos de emissoras, que se dizem prejudicados mas são pagos, e bem pagos, com o dinheiro arrancado do contribuinte.

Eu tenho simpatia pela exibição dos candidatos. É claro que nem todas as vinhetas são atraentes. Algumas são até asquerosas, pela feiúra dos personagens ou a má qualidade do texto.

Uma coisa, porém, é certa: a careta dos candidatos na tevê revela muita coisa. É preciso ser um ator (ou atriz) com uma grande bagagem experimental para mentir e ninguém notar. Nós, jornalistas, que atuamos frente ao vídeo, sabemos como é difícil transmitir inverdades.

Assim, vale à pena sentar no sofá e assistir o desfile dos candidatos. Os que disputam uma cadeira executiva têm a apresentação televisionada tratada com esmero por marqueteiros pagos a peso de ouro, a maioria pelo caixa 2 da campanha… Mas os vereadores!

Estes, em grande número, são na maioria pobres, pegando carona na campanha do candidato(a) a prefeito(a). E haja exibição medíocre. Não sei como andam as coisas na chamada Grande Natal, mas no Rio e São Paulo o desfile é hilário.

Uma grande quantidade dos postulantes à vereança procura a sombra de um cacique político. Na Paulicéa, Lula, Serra e Fernando Henrique são disputados à tapa. Quem tem um retrato antigo com algum desses, tirou do baú para exibi-lo.

No Rio o exibicionismo dos padrinhos e madrinhas é mais pobre. Aparece César Maia, Benedita da Silva e embora muito queimado, o casal Garotinho. Até a minha amiga Heloísa Helena anda patrocinando os candidatos de seu partido, o PSOL, medíocres que só eles.

É altamente positiva a liberdade de expressão de todos que concorrem a cargos eletivos, mas infelizmente isto tem o seu lado contraproducente como o cínico aparecimento dos fichas sujas. A mistura de alhos com bugalhos é a tônica deste democratismo circense.

A situação se torna pior por causa da proliferação dos partidos, São 27 ao todo e – perdoem-me as exceções da regra – os ordinários e corruptos tomam conta de mais de 50% das legendas entre as grandes e as pequenas. É o povo quem constata que os desonestos e os vulgares dominam a chamada classe política.

Então os engraçados valem até pela risada que damos ao vê-los se mostrando. No primeiro dia de aparição aqui no Rio, tivemos pleiteantes com camisas de clubes de futebol, sendo que dois do Botafogo e dois do Flamengo. Um deles, segurança do rubro-negro, adotou o slogan “chega de gol contra!”…

Teve um policial militar com o desplante de dizer que a Cidade Maravilhosa precisa de um super-herói, e se apresentou como tal… Outro, aproveitando-se da numeração, assumiu que seria o “007 da Segurança Pública”.

O horário gratuito sustenta da disputa democrática das urnas. O eleitor tem, portanto, a grande responsabilidade de eleger alguém que vai dirigir os destinos do seu município. Entre os cariocas, poder-se-ia começar por filtrar os próprios nomes dos candidatos, pois têm concorrendo o “professor Uóston, o Abacadabra, Leilinha do Flamengo e o Negão da Mangueira…

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