Artigo publicado n’ O JORNAL DE HOJE
Até agora só sei em quem não voto
MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br
Desafiado por um dos meus leitores a declarar o voto nas próximas eleições municipais, não tenho outra resposta senão aquela que digo e repito às vésperas de toda eleição: “no momento só sei em quem não votaria”.
O cidadão – que se declarou admirador dos artigos publicados n’O Jornal de Hoje – insistiu em ouvir minha declaração de voto e eu vou lhe atender por escrito, registrando para todo e sempre a minha posição, pois palavras o vento leva e o que está escrito fica.
Eu jamais me deslocarei para uma secção eleitoral a fim de dar o voto a uma pessoa que julgo indigna de exercer um cargo público, seja no Legislativo ou no Executivo.
Nestas eleições municipais, por exemplo, repudio os chamados candidatos “ficha-suja”. Se o pleiteante à Câmara Municipal ou à Prefeitura tem um processo criminal na Justiça, se sofre acusações provadas de violação culpável da lei penal, ou de crimes de responsabilidade, comissivo, culposo ou de lesa-pátria, não conte com o meu apoio.
Vejam bem. Os vereadores que estiveram envolvidos naquela vergonhosa venda de votos para derrubar o projeto do Executivo de urbanização da Zona Norte estão na minha lista negra. Como são muitos, não me cabe aqui enumerá-los, mas os seus nomes foram amplamente divulgados sob manchetes escandalosas dos jornais natalenses.
No caso dos sete (ou seriam mais?) candidatos a prefeito, meu voto é uma cobrança política. Como aposentado que teve o direito adquirido violentado e fui obrigado a pagar uma sobretaxa de 11,3% sobre o benefício para o qual contribui, não sufragarei quem apoiou à nefasta reforma da Previdência.
Aconselho aos trabalhadores que não esqueçam aquela miserável reforma da Previdência que lhes roubou cinco anos de vida útil com as regras que aumentaram o tempo de trabalho para se aposentar.
Favorecer eleitoralmente os inimigos das conquistas trabalhistas é uma traição aos princípios da justiça social. É preciso que ninguém esqueça de que quem prejudicou os aposentados e pensionistas a nível federal, fá-lo-á o mesmo com os servidores municipais. Os funcionários públicos fiquem alerta.
Estou – e chamo à atenção dos eleitores em geral – acompanhando os deputados federais e senadores que participam da campanha. Condeno e acho que todos devem reprovar os deputados que na Câmara Federal votaram pela criação do clone da CPMF.
Aqui no Rio Grande do Norte foram três. E seus votos foram decisivos para que passasse no plenário a aprovação do famigerado imposto. Nenhum deles deverá ser favorecido ou continuará metendo a mão no bolso do contribuinte.
Vou diligenciar igualmente os aspirantes a vereador e prefeito em seu comportamento moral. Não discrimino ninguém por filiação partidária, adoção ideológica, por crença religiosa, pela cor da pele ou opção sexual. Mas acho eleitoralmente correto avaliar o comportamento social de quem pretende nos representar.
Assim, está passado a limpo o meu voto. Não se trata de negativismo, mas de valorização da Política com “P” maiúsculo, tão aviltado pelos corruptos e corruptores, e a horda dos que divergem da ética sócio-política que o Brasil precisa.
Fico feliz, verdadeiramente desafogado divulgando este inventário político. E, se conseguir influenciar um só eleitor, dar-me-ei por feliz.
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