Artigo para O Metropolitano. Amanhã nas bancas

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É cedo para anunciar o “já perdeu!”

MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br


Inexplicavelmente o PT sempre evitou alianças à esquerda, com PCB, PC do B, PDT, PMN e PSB, mas depois da eleição de Lula deu uma guinada de 180°, se escrachou fazendo parceria com Romero Jucá, Jáder Barbalho, José Sarney, Severino Cavalcanti, Geddel Vieira, Paulo Maluf, Íris Rezende e outros do mesmo naipe.

Do ponto de vista eleitoral, o que teria dado certo antes recebe hoje o repúdio popular, como se vê nas pesquisas de opinião pública.

É exemplar o que ocorre em Belo Horizonte, onde o candidato “flex” forjado numa estranha coligação do lulismo-petismo com os tucanos de Aécio Neves está levando um banho de Jô Morais, da pequena (mas atuante) representação do PC do B em Minas Gerais.

Em outras capitais de peso eleitoral, a pesquisa do Datafolha aplicando a pergunta ‘em quem você vai votar para prefeito’, mostra os nomes dos candidatos e registra o ‘não sei´de 56% em Salvador e 58% em Recife. Indefinidos também os eleitores de Porto Alegre (61%) e do Rio de Janeiro (66%).

Os números caíram um pouco em Curitiba (46% de indecisos) e em São Paulo (43%). Em Belo Horizonte, apesar do rolo compressor da parceria Lula-Aécio, ainda não decidiram em quem votar 79% dos entrevistados.

Nos estados de menor expressão numérica, a campanha nos centros administrativos ainda está esquentando, mas já se vê o mesmo fenômeno de alheamento e a desvantagem para os candidatos oficiais em pronunciamentos espontâneos da população.

Acho que ainda é prematuro desacreditar da força dos governos e das lideranças políticas ligadas a Lula da Silva. É cedo, portanto, anunciar o ‘já perdeu’ das chapas apoiadas nos programas do PT-governo e a capacidade organizativa da pelegagem, defendendo a manutenção do poder.

Aí estão os aparelhados na administração federal (e estadual), com vencimentos de primeira linha, as Ongs fajutas e outras linhas auxiliares com influência em movimentos sociais e órgãos de governo.

E não se pode esquecer do dinheiro, muito dinheiro que chegará certamente das empreiteiras, dos bancos e entidades pouco ortodoxas e será traficado pelas dezenas de delúbios que substituíram o az do mensalão.

Quando a campanha for divulgada nos programas radiofônicos e televisivos do Tribunal Superior Eleitoral é possível que a definição do eleitor seja acelerada, apesar do desinteresse flagrante.

E, sinceramente, não vejo a mesma coisa que os observadores ‘chapa-branca’ vêem: a alienação do povo. Essa turma quer reverter um dos processos que mais reforça a democracia que é o pronunciamento das urnas.

Agora a ‘esquerda’ lulista-petista divulga que os brasileiros já estão empanturrados de eleições… O mesmo argumento dos defensores do totalitarismo fascista.

O povo quer, sim, votar. Mas o quadro político-eleitoral, convenhamos, não suscita muito interesse porque não propõe mudanças. Os sinais de desencanto pelo aumento do custo de vida já aparecem claramente nas ruas, mas a timidez dos candidatos não lhes permite segurar a bandeira anti-Lula.

E é assim que a aritmética eleitoral ainda não é real. Fica apenas em conjecturas nem sempre com a independência necessária para obter crédito.

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