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Repassando os dois mandatos de Lula da Silva

MIRANDA SÁ, jornalista (mirandasa@uol.com.br)

Enquanto os pelegos golpistas apenas sonham com um terceiro mandato para Lula da Silva, é bom repassar o exercício do primeiro e do segundo, a partir da Carta ao Povo Brasileiro, a reviravolta ideológica da direção nacional do PT traindo as bases ao dar um salto tríplice na piscina do neoliberalismo.

No primeiro mandato, faça-se justiça a Antonio Palocci, cujo equilíbrio à frente do Ministério da Fazenda manteve a política macroeconômica de combate à inflação, se bem que nos moldes liberais de Fernando Henrique.

Fugindo às pressões políticas das tendências esquerdistas do partido, o governo Lula impôs o pragmatismo trazido das atividades sindicais, conchavando com gregos e troianos e fazendo concessões aqui e acolá.

Pelo acordo de Washington, garantiu a independência de Henrique Meireles no Banco Central. Assim manteve o livre câmbio e o superávit fiscal pelos manuais do FMI e do Banco Mundial. E o barco navegou nos mares do neoliberalismo, soprado pelos ventos do mercado.

Em contrapartida, a atuação política petista com os pés na terra, mostrou-se um verdadeiro desastre. A orientação e a execução da nova linha política delineada por José Dirceu foi vacilante e contraditória com relação às origens programáticas do partido, mas firme e segura rumo ao controle de mercenários no Congresso e na cooptação das organizações populares, sindicais e estudantis.

Dessa maneira, os oportunistas e arrivistas se infiltraram no Palácio do Planalto e cercaram a Presidência da República, incensando Lula e seus familiares, ao mesmo tempo em que nivelava a militância partidária com os 300 picaretas do Congresso Nacional.

O desvario do poder pelo aparelhamento do governo e das estatais levou o PT-governo a uma injusta intervenção na Previdência Pública e a lutar pela manutenção do imposto do cheque; a reforma agrária andou a passos de cágado e os impostos cresceram em velocidade supersônica. Com isso, traçou-se o perfil do primeiro mandato.

O segundo mandato não se desviou da linha hipócrita da compra e venda de consciências, mas piorou com relação ao primeiro, na criação de factóides e a implantação cínica da mentira como norma de enfrentar denúncias.

A impudência reinante voltou-se para reconquistar o paraíso perdido das “lutas históricas”, com concessões descabidas ao MST, desengavetamento da política indigenista e uma volta estranha ao atendimento de reivindicações das minorias, com cotas para negros, bolsas para os miseráveis e mais enganação para as mulheres e os idosos.

Dizem que tudo gira em torno da sucessão presidencial, devendo-se ao tresloucado lançamento da candidatura Dilma Rousseff, um ato unipessoal de Lula que atropelou a velha guarda do PT e extinguir a democracia interna do partido.

A popularidade auferida nas pesquisas de opinião pública acenderam o deslumbramento do Presidente, levando-o Lula ao egocentrismo extremado. E a pior expressão dessa esquizofrenia é o caso da compra de armamentos franceses, que no pacote deve trazer além dos aviões e submarinos, o absolutismo de Luiz XVI. O “L’ Etat se moi” ao “Compro os aviões quando e como ‘eu’ quiser!”, mostrou a nova cara de S. Excelência Metalúrgica.

Nunca antes neste país viu-se tamanha arrogância e prepotência. No fim do mandato, esta atitude dá mau exemplo aos favoritos e sectários, como se viu no caso Battisti, com o enfrentamento do ministro Tarso Genro com o STF, posição antipática e anti-republicana.

O tempo passa célere e pouco falta para chegarmos ao dia 31 de março – limite extremo da desincompatibilização dos candidatos que concorrerão às eleições de 2010. Até lá Lula sustentará a candidatura de Dilma e ela acredita (ou finge acreditar) que é para valer. 

Depois, possivelmente o golpe continuísta sairá do sonho da pelegagem corrupta e mostrará o verdadeiro candidato deles. Suponho que não será mãe nem madrinha de nada, mas um sapo que pelo sobejo da sorte virou príncipe.

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