Artigo: Jornal de Hoje
Um balanço frio e calculista das eleições
MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br
Gosto de eleições e defendo a tese de que quanto mais a cidadania for convocada para ir às urnas, mais politizada fica. Parece que mantenho a mesma opinião que certos grupos de esquerda exprimiam antes da pelegada chegar ao poder e hoje falam em unificar o pronunciamento eleitoral.
Mesmo não me envolvendo diretamente nas campanhas que se encerraram na semana passada, sinto-me na obrigação de comentá-las. De uma forma genérica, é claro, e procurando um jeito de consolidar e aprimorar a democracia.
Colocando o fim da reeleição como uma questão de princípio, a primeira observação é crítica. Não concordo com a propaganda maciça, paga com o dinheiro do contribuinte, querendo convencer o povo de que as eleições não podem ser fraudadas. Como o TSE pode afirmar isto se não podemos confirmar o voto que demos?
Ninguém de boa fé deve acreditar que as urnas eletrônicas, que não passam de um computador, não oferecem o ensejo de ser invadido por um pirata, depois que um hacker entrou nos ultra-secretos e ultra-seguros computadores do Pentágono?
Qualquer pessoa minimamente informada sabe que existe possibilidade, sim, de uma fraude num programa virtual.
Outra censura volta-se para os chamados programas eleitorais “gratuitos”, que na verdade não são gratuitos e servem apenas para alardear imposturas e demagogia barata numa mórbida exibição de esquizofrênicos.
Há exceções? Claro que há embora a honestidade e a lucidez sejam uma prerrogativa da minoria que comparece para justificar a regra geral…
A outra reprovação vai para as verbas destinadas aos partidos políticos. Verbas que saem do bolso dos contribuintes e só servem para manter a burocracia partidária e estimular a multiplicação de legendas controladas por picaretas, e reforço a suspeição sem livrar a cara de ninguém.
Condeno também o emaranhado de regras que só complicam o livre exercício do voto, servindo apenas para meia dúzia de juízes investidos da toga eleitoral arrotar autoridade. A legislação parece que foi elaborada para outro mundo e não para o que vivemos.
As normas legiferantes restringem a livre manifestação democrática. O uso da imprensa escrita, falada e televisionada é restrito; ignora-se a maravilha que é a internet, quando se restringe, e até se impede a livre expressão nos sites, blogs e comunidades de relacionamento.
O TSE tentou corrigir a ação absurda e injustificável contra os internautas, partindo essas medidas de gente que critica a China e países muçulmanos xiitas. Se o debate das idéias pela internet é objeto de censura, pior ainda é pela tevê.
As emissoras foram obrigadas a convidar todos os candidatos registrados, inclusive os que não têm o voto da própria família… Dessa maneira, o debate ficou prejudicado, além de proporcionar a presença de “laranjas” financiados para atacar um dos concorrentes. Com isso desapareceu a autenticidade do debate televisivo.
Finalmente, uma contradição da alta Corte Eleitoral. Vem de um caso ocorrido nas Minas Gerais onde o TSE proibiu a participação do governador Aécio Neves no programa do candidato que ele apóia desde o começo da campanha. A alegação foi a diferença entre as legendas partidárias de um e do outro…
PSDB e PT estão do mesmo lado na disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte; entretanto não há um só ministro do TSE que se pronuncie contra o presidente Lula da Silva, voando como cabo eleitoral no avião presidencial acompanhado de claques de puxa-sacos. Tudo com o dinheiro do contribuinte e negando a condição de um verdadeiro chefe da Nação, isento e justo entre todos os cidadãos.
Da mesma forma que um hacker pode mexer no resultado de uma determinada urna eletrônica, Lula – pela omissão da Justiça Eleitoral – fraudou o primeiro turno das eleições. O que não fará se os pelegos, seus candidatos, que vão disputar o segundo turno?
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