Artigo de Miranda Sá (O Jornal de Hoje – RN)
O que esperar de um Presidente que assina sem ler?
MIRANDA SÁ, jornalista (mirandasa@uol.com.br)
Dilma Rousseff, o avatar de Lula, protocolou um programa de governo no Tribunal Superior Eleitoral, assinado e rubricado por ela página por página, comprometendo-se na sua pretensa gestão pelo fim do monopólio dos meios de comunicação, taxação de grandes fortunas e redução da jornada de trabalho.
Não considero extremistas essas promessas feitas por candidata de extrema esquerda, ex-guerrilheira e terrorista, apoiada pelas correntes assumidamente extremistas do seu partido, o PT.
É por isso que considero muito estranho, anormal mesmo, o fato de o texto ser substituído por outro, sete horas após a entrega. E que vários trechos tenham sido suprimidos. Qual a razão dessa medida?
A oficialização dos projetos foi espontânea e é inegável que foi formalmente avaliada por Dilma. Então é inexplicável que tenha havido um engano e que o programa era um texto superado e que ela assinou sem ler.
Só não sabe quem não quer que todos os pontos da declaração são defendidos pelo grupo que apóia a candidata, uma tendência do PT autodenominada “de esquerda”; então, porque ficar no dito e não-dito, com a transposição dos textos sob argumentos pífios, já na terceira versão do manifesto eleitoral.
Sim, porque Dilma disse no dia 7 passado que sua campanha entregará uma terceira e definitiva versão do seu programa de governo à Justiça Eleitoral, com sugestões dos partidos que a apóiam.
Na verdade, nada do que dizem Dilma e seus companheiros a respeito do fato é verdade e, quando não é mentira é burrice, como a afirmação dela de que “rubricar não é assinar”… O que houve foi a repercussão desfavorável entre os próprios aliados, insatisfeitos pela adoção “in totum” das resoluções do IV Congresso do PT.
Este é o quadro visível. O que há nos bastidores (e nos porões da ilegalidade) é que as verdadeiras intenções de Dilma e dos seus companheiros está no primeiro programa. E tudo bem, como escrevi acima, mas tudo mal se está sendo urdido um novo estelionato eleitoral.
Com a suavização das propostas, para evitar polêmicas e dissidências, é um engana trouxa para conquistar votos e chegar ao poder, obedecendo ao preceito leninista simplificado na expressão “dar um passo atrás para dar dois passos à frente”. E assim os stalinistas ressuscitam Lênin para novo golpe…
Não consigo esquecer o episódio que envolveu Dilma com a ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira. Sei como todas as pessoas bem informadas deste País que ela, como seu mestre e senhor, Lula da Silva, é contumaz em mentir, mas, ao meu modo de ver, desta vez não é mentira.
É uma tática que foi criada para uso externo, assentada na leviandade dos atuais ocupantes do Palácio do Planalto. Lembram-se que Lula já vez algo idêntico, dizendo que subscreveu uma recomendação sem ter conhecimento do conteúdo?
A amoralidade favorece coisas deste tipo no mundo político inoculado pelo vírus da corrupção como ocorre no sistema nacional. E é este o medo que me atormenta: qualquer assessor poderá preparar um despacho que terá a chancela de um executivo despreparado e sem formação moral e cívica.
E no final quem pagará a conta seremos nós, pobres mortais, sempre sem saber como e quando acreditar num Presidente que assina documentos oficiais sem ler. Com Dilma, o Brasil estará, no mínimo, à mercê dos seus erros e vacilações.
Boa tarde,
Concordo em parte com o texto, não entrarei no mérito, porém pergunto aos leitores, qual a diferença de se ter no governo um gestor “Intelectual” que atrofia o país, ou um gestor “estadista” que se distânciou e muito do atrofiamento?!?!
Obrigado