Artigo
Contribuição para estudo da realidade sindical
MIRANDA SA, e-mail mirandasa@uol.com.br
Apesar da estrondosa campanha discriminatória contra o governo João Goulart, que motivou o golpe militar de 1º de abril e os anos de ditadura, a História registra que o Presidente nunca se afastou dos princípios constitucionais e recusou-se a implantar – como queria a pelegagem – uma “República Sindicalista”.
O jornalista Raul Riff relata os fatos de então com clareza e neutralidade, apesar da sua amizade com Jango. Riff descreve a dura resistência presidencial, mantendo afastadas as cúpulas sindicais sem base, como se viu depois.
Deve haver – ainda vivos – muitos militares dos que participaram do movimento contra Jango arrependidos por terem acreditado na propaganda mentirosa inspirada pelo
Departamento de Estado norte-americano e a sua “guerra fria” particular.
Hoje a gente vê a razão do medo da “República Sindicalista”. Seríamos aliciados também se soubéssemos o que seria na realidade o domínio dos pelegos.
O Brasil tem mais de 10 mil sindicatos, dos quais quase 50% registrados na Era Lula, numa média estimada de um por dia. É um festival de irresponsabilidade, uma farra caríssima, feita em nome de uma fictícia “liberdade sindical”.
Liberdade, uma ova! – A multiplicação das representações corporativas nada tem a ver com o espírito do sindicalismo. São pequenas, médias e grandes empresas comerciais financiadas por um dia de salário de cada trabalhador que rende R$ 2 bilhões por ano.
É um fantástico rendimento a fundo perdido, sem prestação de contas, a que se somam ainda as verbas distribuídas demagogicamente pelos governos federal, estadual e municipal.
Os dirigentes sindicais atualmente são burocratas vivendo uma atividade próspera sem se preocupar em conceder benefícios para os sindicalizados, reservando para si fortunas, graças ao Imposto Sindical.
O PT-governo, por pura demagogia, aceita e incentiva o desmembramento de sindicatos com o Ministério do Trabalho realizando uma “política de resultados”, invenção de um dos seus mentores, o pelego Paulinho da Força. Essa motivação político-eleitoral é responsável pela quebra da unicidade sindical, fruto de muitas lutas dos trabalhadores.
Com isso se assiste a reprodução orgânica das associações trabalhistas. Esse loteamento das representações corporativas nada teem de motivação política ou ideológica. Sua única finalidade é arrecadar dinheiro para engordar os pelegos.
A greve dos 80 mil nas usinas do Jirau e Santo Antônio, em Rondônia, desmente a invencionice governista do paraíso “dos trabalhadores”. É um novo despertar do operariado nas obras do PAC, gerado no ventre da demagogia que fez da presidente Dilma a “Mãe do PAC”.
Mãe displicente, ou ingrata, que permite ocorrências escravocratas de péssimas condições de trabalho, arrocho salarial e enfrentamento de capatazia policialesca. Antes do Jirau só fazia greve funcionário público.
Os sindicatos dos servidores eram os únicos que realmente se mobilizavam nas chamadas datas-base, aproveitando a oportunidade para pleitear reestruturações de carreiras e aumento de adicionais dos seus proventos. Sabiam de antemão que, no mínimo, ganhariam dias de férias do rotineiro e enfadonho trabalho burocrático.
No caso dos servidores há o problema da falta da complementação legislativa, o que sobra nos milhares de portarias do Ministério do Trabalho para categorias virtuais de “aposentados”, “trabalhadores do sexo”, “mexedores de panelas”, “meninos de recado” e “soldadores de coisa alguma”.
Esses sindicatos artificiais, investimento seguro das centrais sindicais, nada contribuem para a evolução dos trabalhadores, ao contrário, representam uma aberração que se deve à ganância das centrais que embolsam 10% do bolo das contribuições sindicais, calculados pelo número de afiliados.
Nada disso é fiscalizado pelo Ministério Público e o Tribunal de Contas da União, deixando no passado a seriedade do sindicalismo puro, independente e voltado para os interesses classistas. É o que alguém chamou de “banditismo sindical”.
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