ANÁLISE de Míriam Leitão
MB Associados: pouco espaço para otimismo
A atividade econômica no 2º trimestre deste ano começou fraca. Essa é a visão da consultoria MB Associados. E como não são animadores os resultados do combate à crise financeira por parte do governo americano, o cenário da economia internacional deve continuar ruim ao longo do ano e isso terá impacto sobre o Brasil.
Na visão da MB, o PIB brasileiro do 1º trimestre deve sofrer uma retração de 1,3% na comparação com o 4º tri. Isso configuraria a recessão técnica, já que no 4º trimestre o PIB também sofreu retração. A indústria será responsável por grande parte desse mau resultado. Dos dados oficiais já divulgados, a indústria sofreu queda de 17,4% em janeiro na comparação com o mesmo mês de 2008, e redução de 17% em fevereiro, na mesma base de comparação. Para março, a MB associados estima uma redução de 8,5%. Essa diminuição do ritmo de queda não será suficiente para melhorar o desempenho do setor no período.
Para o 2º trimestre, embora o cenário seja ruim, o resultado deve ser um pouco melhor que o do 1º tri porque a base de comparação estará muito fraca:
“Provavelmente o 2º trimestre não deverá ter resultado tão ruim quanto o primeiro. Suponha que a queda no 2º trimestre seja igual a do 1º tri, ou seja, de 2,4% na comparação com o mesmo período de 2008. Na margem, ou seja, na comparação com o trimestre anterior Isso significaria um crescimento de 1%”, explica o relatório da MB. Isso, voltando a repetir, porque a base de comparação está mais fraca.
Com uma alta de 1%, muita gente pode achar que a crise acabou. Mas a MB ressalta que o cenário internacional ainda está muito deprimido e que a crise sistêmica nos bancos continua. Para piorar, a própria atuação do Tesouro americano na crise já está sendo colocada em cheque por muitos economistas.
“A informação, por exemplo, de que todos os 19 bancos americanos passaram pelo teste de stress coloca em dúvida a qualidade do próprio teste. Se isto for verdade, o crédito deve continuar emperrado e as economias mundiais devem demorar mais a voltar a crescer”, diz a MB.
O resultado desse cenário no Brasil é enfraquecimento das exportações e dos investimentos. Ainda assim, a MB estima crescimento de 0,5% do PIB brasileiro em 2009. Bem acima do que projeta o Boletim Focus, por exemplo, que está apontando retração de -0,3%.
Fonte: Miriam Leitão
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