ANÁLISE
Ilusões perdidas
Num país tão brutalmente desigual, soa até ofensivo perguntar se a Justiça é elitista. Como? Claro que sim, como a saúde e a educação, direitos universais no papel. Os que não podem pagar (professor, médico ou advogado) se viram na moenda social brasileira.
Essa é também uma sociedade autoritária. Escravocratas durante séculos, seguimos patrimonialistas. E saímos de uma ditadura de duas décadas há pouco mais de 20 anos. Essas marcas estão inscritas na maneira de pensar, no país que conseguimos ser: ainda desiguais demais, ainda democratas de menos.
O “affaire Dantas”, além do potencial explosivo, é rico porque traz à tona esse núcleo de problemas: privilégio e impunidade de um lado, demanda por justiça social e por lei para todos, de outro.
Fernando de Barros e Silva, jornalista
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