Além de Wall Street – Míriam Leitão

Comentários desativados em Além de Wall Street – Míriam Leitão
Compartilhar

O avião que me trouxe a Nova York chegou junto com um vôo da Suíça, de 700 passageiros, e outro de 300, do Paquistão, país que a imprensa americana costuma chamar de “o mais perigoso do mundo”. Mulheres de chador, algumas só de olhos de fora, negros, latinos, indianos e brancos se misturaram numa fila lentíssima, de várias voltas. Um bebê berrava no carrinho, mas só comovia o pai.

 

O pai sacudia o carrinho em aflição, mas a mãe, sem olhar o bebê, seguia a fila, lendo uma revista francesa com a qual parecia se divertir. Mais indiferentes ao choro do bebê só mesmo os três funcionários da imigração, que conversavam num banco perto da fila. Poucos guichês funcionavam, a fila não andava, as crianças se inquietavam, os idiomas se misturavam, a mochila com o computador e livros pesava, o casaco era um estorvo, e o heater (aquecedor) em alta temperatura. Tudo era desconfortável neste começo de semiférias que tirei. Continuarei aqui na coluna, mas tirei duas semanas de descanso da TV, da TV a cabo, do rádio e do blog. Uma volta aos tempos pré-multimídia. Mas com uma exceção: já mandei nota para o blog.

 

Os muçulmanos eram parados por longo tempo nos guichês — as mulheres em silêncio, ou agarradas às crianças, e os homens tentando convencer os funcionários do controle de passaporte. Os europeus passavam rapidamente, e nós, brasileiros, com alguma rapidez. Para aumentar a lentidão, os computadores paravam de vez em quando. Por sobre o barulho da sala, tentei seguir um pouco da notícia extra que interrompeu o noticiário da CNN. Era a entrevista do filho de Jesse Jackson, garantindo inocência no mais novo escândalo político de Chicago.

Para ler na íntegra clique aqui

Fonte: Miriam Leitão

Os comentários estão fechados.