”A Constituição vive no fio da navalha”

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Do professor de Economia Eduardo Fagnani, da Unicamp, em entrevista ao Estado de S.Paulo:

Os outros fazem festa para a Constituição e o sr. se diz preocupado. Por quê?

Porque nossa Constituição nasceu na contramão do mundo. Quando o Congresso a aprovou, já corria forte lá fora a onda neoliberal, puxada por Ronald Reagan e Margaret Thatcher. Caía o Muro de Berlim, acabava a bipolaridade. Mas o Brasil estava saindo de uma ditadura militar, sua agenda era a da redemocratização. Lá fora era o Estado mínimo e aqui dentro se buscava uma rede de proteção social para os pobres.

E no que deu essa diferença?

Ela criou uma tensão que marcou estes 20 anos. As forças liberais, principalmente nos anos 90, pressionaram por mudanças. Desde então, as garantias e avanços de 88 enfrentam ameaças. A Constituição vive no fio da navalha, permanentemente ameaçada pelos que querem eliminar os avanços.

O sr. se refere às críticas de que ela dá direitos demais e o Estado não tem como cumpri-los?

Sim, a agenda neoliberal chegou numa onda avassaladora, com a idéia de que a capacidade da economia não dava para garantir todas as conquistas. Isso não é verdade. O problema é que as opções macroeconômicas, a partir de então, levaram a uma estagnação da economia e isso desorganizou o mercado de trabalho.

Leia a entrevista em: ”A Constituição vive no fio da navalha”

Fonte: O Estado de S. Paulo

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