História – há 19 anos…
07/06/1989 – O canto livre se cala
A musa da Bossa Nova, Nara Leão, morreu aos 47 anos.
Apesar da sua aversão à carreira artística, construiu uma das carreiras mais singulares da música popular brasileira. Sem grande extensão de voz mas dona de uma garganta afinada, emitiu um canto tão delicado quanto sua presença no cenário musical.
Trajetória surpreendente para a menina nascida em Vitória, no Espírito Santo, e criada no Rio de Janeiro. Aos 12 anos, ganhou um violão. O começo da sua carreira artística aconteceu como muitas coisas em sua vida: “por acaso”. Seu apartamento na avenida Atlântica serviu de ponto de encontro de músicos como Vinícius de Morais, Carlinhos Lyra, Roberto Menescal, criadores da Bossa Nova.
Fez sua estréia no espetáculo Pobre Menina Rica, a convite de Vinícius de Moraes e Carlos Lyra, no restaurante Bom Gourmet. Seguiu-se o mitológico Opinião, em 1965, ao lado de João do Vale e Zé Kéti, no Teatro de Arena de Copacaba. Imprimiu o que hoje se diria “personna”, o cabelo chanel, minissaia com os joelhos à mostra, violão sob o braço e um jeito tímido com pitadas de indignação universitária.
Nara entrava no caminho do protesto pela porta da frente, fazendo declarações políticas que lhe renderam problemas com a censura, que foi ameaçada até mesmo pela Lei de Segurança Nacional.
Em 1966 ela estoura nas paradas de sucesso, e dividiu o prêmio do II Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, com a inesquecível música A Banda.
Em 1967, casou-se com o cineasta Cacá Diegues. Em 1975, o adeus à música parecia irreversível, colocava sempre os filhos e a vida pessoal em primeiro lugar. Chegou a cursar Psicologia na Puc/RJ, mas a música falou mais forte.
Mais forte que a razão e a ciência
O primeiro sintoma da doença apareceu em 1979 mas não impediu sua volta ao circuito da música. Em 1985, ao lado do fiel acompanhante musical Roberto Menescal, Nara gravou o LP Um Cantinho, um Violão. Desenganada com os médicos, buscou tratamento com um paranormal. Prorrogou por 4 anos a previsão de 6 meses de vida devido ao tumor maligno que tomava seu cérebro. Durante um show na Boite People, afirmou: ” Há alguma coisa muito mais forte do que a razão e a ciência”. Infelizmente nem a razão nem a ciência impediram a morte da musa de todos as bossas da música brasileira.
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