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Cala a boca, Spike Lee

Essa foi a frase de Clint Eastwood para o diretor de “Faça a coisa certa”. Spike Lee fez a coisa errada.

Ao lançar seu filme “Miracle at St Anna” em Cannes, criticou o colega por não escalar nenhum ator negro em seus filmes “A conquista da honra” e “Cartas de Iwo Jima”, sobre a entrada de tropas americanas no Japão em 45.

Ressalvado o tom estúpido do cowboy, é isso aí: fica na sua, Spike Lee.

Clint Eastwood filma o que quiser, com o rigor histórico que desejar, com os atores da cor que bem entender. Não há nada mais racista do que a patrulha politicamente correta.

Imagine um Sidney Poitier, gigante negro de Hollywood, ouvindo que um filme tem que ter ator negro por razões raciais. Seria quase uma ofensa à sua arte (mesmo que ele concordasse).

Spike Lee filmou muito – e muito bem – o negro americano. Sua obra é uma contribuição valiosa ao mundo sobre a cultura negra, admirada e consumida por brancos, porque a cultura no final é uma só. Mas ninguém nunca exigiu dele uma cota de brancos em seus filmes.

Spike Lee foi racista em sua patrulha contra Eastwood. É o tipo de declaração que só segrega, só predispõe negros e brancos à rivalização, ao conflito. Ainda mais dizendo que os jornalistas “não tinham colhões” de questionar o cineasta branco sobre isso.

Por que não teriam? É possível imaginar que não haja em toda a imprensa americana um pingo de independência e coragem para fazer uma pergunta dessas? Spike Lee está insinuando, a essa altura do campeonato, que repórteres em plena Los Angeles do século 21 são oprimidos e silenciados pelo poderio dos brancos?

Menos, Spike. Vai filmar, que é o que você sabe. Poupe-nos, negros e brancos, do seu preconceito.

Fonte: Guilherme Fiúza

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