Poesia

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Vazio

A poesia fugiu do mundo.
O amor fugiu do mundo —
Restam somente as casas,
Os bondes, os automóveis, as pessoas,
Os fios telegráficos estendidos,
No céu os anúncios luminosos.
A poesia fugiu do mundo.
O amor fugiu do mundo—

Restam somente os homens,
Pequeninos, apressados, egoístas e inúteis.
Resta a vida que é preciso viver.
Resta a volúpia que é preciso matar.
Resta a necessidade de poesia, que é preciso contentar.

Augusto Frederico Schmidt

O Poeta

Augusto Frederico Schmidt (Rio de Janeiro, 1906 – idem 1965). Poeta, editor e empresário. Aos 8 anos, vai para Lausanne, Suíça, onde os pais se internam em sanatórios. Dois anos depois, o pai morre, em Montreux, e Schmidt, de volta ao Brasil, vai estudar no Colégio Granbery, em Juiz de Fora, Minas Gerais. Em 1922, colabora com poemas e crônicas para o jornal O Beira-Mar, do Rio de Janeiro, trabalha como balconista na Livraria Garnier e participa de discussões literárias no Café Gaúcho.

Dois anos depois, em São Paulo, liga-se aos escritores Mário de Andrade Oswald de Andrade, Ribeiro Couto e sobretudo a Plínio Salgado de quem mais tarde publica obras de propaganda do integralismo. Nesse período trabalha como caixeiro-viajante e lança o primeiro livro de poemas, Canto do Brasileiro.

Funda a Editora Schmidt, em 1931, e publica, entre outros, as primeiras obras de Jorge Amado, Graciliano Ramos, Vinicius de Moraes, Lúcio Cardoso e Gilberto Freyre. Empresário, monta a rede de supermercados Disco. Na década de 1950, a proximidade com presidente Juscelino Kubitschek faz com que exerça diversas funções públicas em seu governo, criando inclusive o slogan “50 anos em cinco”.

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