ENTREVISTA
Frei Beto critica assistencialismo do PT-governo
O jornalista Vicente Toledo Júnior, da UolNews de São Paulo, entrevistou o Frei Beto, o frade dominicano Carlos Alberto Libânio Christo, um dos grande batalhadores pela justiça social e ex-coordenador do Fome Zero, principal programa social do primeiro mandato do presidente Lula da Silva. Foi durante dois anos, foi assessor especial da Presidência da República, tendo deixado PT-governo no final de 2004 incomodado com os rumos da política econômica e criticando a burocracia que emperrava o andamento dos programas sociais.
Teólogo e escritor ligado à esquerda, Frei Beto deixa uma pergunta no ar: “Por que o governo federal não comemora cinco anos do Fome Zero e sim quatro do Bolsa Família? É uma pena que um programa muito mais amplo, e de perfil emancipatório, formatado pelo próprio governo Lula, e tido como prioritário, tenha sido substituído pelo Bolsa Família, que tem caráter mais assistencialista. É claro que o governo tem motivos para comemorar, afinal, depois da Previdência Social, o Bolsa Família é o maior programa de distribuição de renda existente no Brasil. E também a maior usina de votos favoráveis ao governo. Espero, entretanto, que o resgate de uma importante medida do Fome Zero – estabelecer prazo para as famílias se emanciparem do programa – venha a imprimir ao Bolsa Família um caráter mais educativo, de promoção cidadã. É preciso que os beneficiários produzam sua própria renda, sem depender do poder público nem correr o risco de retornar à miséria”.
Respondendo a uma pergunta de Vicente Toledo Jr., Frei Beto faz a crítica que todos os que elegeram Lula da Silva conscientemente fazem. Comentando sobre o Programa, diz: “Quanto ao Bolsa Família, houve evidente melhora, sem dúvida, graças ao empenho do ministro Patrus Ananias. Porém, me pergunto pelos outros programas que faziam parte da cesta emancipatória do Fome Zero: onde estão os cursos profissionalizantes? A formação de cooperativas? Os restaurantes populares? Os bancos de alimentos? Os comitês gestores? Por que conceder facilidades de acesso ao crédito se já existia, no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal, iniciativas, como o Banco Popular (que fim levou?) nesse sentido?
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