Abrindo aspas para o deputado Fernando Gabeira
CARTÕES, MAIS QUE NA HORA DE APURAR
“Recebi correspondência do deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) propondo uma CPI dos cartões corporativos, antes mesmo da renúncia da ministra Matilde Ribeiro. A impressão que muitos podem ter é a de que começamos a discutir isto agora, com os últimos escândalos. Este tema está nas mãos do ministro Ubiratan Aguiar e já o visitamos ainda em 2006 para falar do assunto.
Como ele estava investigando, com as possibilidades de um ministro do Tribunal de Contas, esperávamos apenas um sinal para tratar do assunto publicamente, pelo menos delimitando as regras que devem ser cumpridas em casos como esses. O que conversávamos no passado, eram sobre gastos no Palácio do Planalto. O que estourou foram gastos de ministros de estado. O governo tomou providências rápidas, exatamente, porque não queria discussões sobre os gastos do Planalto.
Temos de encarar esta realidade. O argumento do general Jorge Felix, com quem tenho boas relações, é muito frágil. Diz que os gastos não podem ser divulgados por uma questão de segurança do presidente e de sua família. Se isso é verdade, todos os gastos feitos através de concorrência pública, deveriam ser suspensos. E tratam de alimentos, agasalhos e outros produtos que são consumidos pelo Presidente.
O ministro Ubiratan Aguiar, diante do estouro do caso de Matilde, Gregolin e Orlando Silva (Igualdade Racial, Pesca e Esportes) pediu uma investigação mais ampla sobre o tema. Sabe o que acho, caro Carlos Sampaio: ele está buscando força para tratar daquilo que sempre investigou, os gastos de cartões corporativos no Palácio do Planalto.
E esses gastos, divulgados no Portal Transparência, começam a ser analisados nos blogs e filtram para colunas, colocando o presidente diretamente na berlinda. Ora são gastos feitos em Florianópolis, ora em São Bernardo do Campo, lugares freqüentados pela família presidencial. Mas também são gastos para pagamento de pilotos ou gastos de restaurantes realizados por comandantes militares, ligados à proteção da família presidencial.
Seria interessante que o próprio Jorge Felix definisse claramente para nós quais são as regras.
O problema tornou-se delicado, porque a estrutura militar em torno do presidente acaba sendo usada como biombo. A grande preocupação com a Amazônia e o fato de estarmos todos separado pelo recesso, não significam que estivemos dormindo. Todos os pequenos detalhes dessa trama estão sendo acompanhados. Aliás, o portal Transparência não foi criado apenas por bondade do governo mas por pressão.
Antes dele, estimulados o site Contas Abertas, fornecendo nossas senhas. Dificilmente, a sociedade aceitará contas secretas ou falsos argumentos de segurança. A única coisa que proponho a Carlos Sampaio, antes de trabalhar no tema, é uma nova reunião com o ministro Ubiratan Aguiar para sabermos o que conseguiu descobrir. Apesar da matéria da revista Veja, os blogs estão avançando mais no tema, procurando, a cada instante, novas evidências.
Para saber o que pensa o Planalto, basta ler aquela coluna da página 2 do Globo, que nos últimos anos tem sido uma espécie de porta voz. Ela fala no sepultamento da idéia da CPI. Esse é o desejo do governo. Será também o da sociedade?”
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