OPINIÃO
Tucanos no muro, não, no quintal do PT
Não é por acaso que Lula da Silva concentra seu ódio contra o DEM. Os ex-pefelistas, hoje democratas por força do marketing e vergonha de assumir ideologicamente o liberalismo, representam a verdadeira oposição ao PT-governo; de centro – direita, é certo, mais com uma autenticidade respeitável para quem busca alianças para combater o mal maior, a tendência totalitária do PT-partido.
O PSDB não tem vocação para combater nada. No tempo em que eu fazia oposição a Fernando Henrique – fui um dos raríssimos jornalistas a fazê-lo no Rio Grande do Norte – não perdoava o temperamento vacilante dos tucanos, cuja natureza morfológica nunca impôs respeito. Agora voltam a ficar explícitas essas qualidades negativas, do caso Renan para cá. As vacilações do tucanato ficam claras quando concordam que o PT-governo precisa da emenda constitucional para prorrogar a CPMF; os tucanos saltam do muro para ciscar no quintal do PT.
Na última sessão plenária do Senado, o senador Arthur Virgílio, líder da bancada, voltou a afirmar a disposição do PSDB a negociar a CPMF, desde que o governo se comprometa a assumir um “considerável” corte de gastos na administração pública. “Considerável” é uma medida relativa, ou melhor, indefinida. Na verdade a opinião de Virgílio e da bancada gira em torno dos interesses dos governadores das Minas Gerais e de São Paulo.
Aécio Neves e Serra têm uma posição firmada na defesa da prorrogação do famigerado imposto do cheque. Ambos põem o carreirismo acima dos interesses do povo brasileiro, rezando na cartilha trotskista do PT-partido aceitando que os fins justificam os meios. A realidade é que nem os donos do PSDB nem Lula da Silva e sua trupe de pelegos, pensam no bem estar do povo.
Até hoje o PT-governo não abriu mão da aprovação pura e simples da PEC que prorroga a CPMF do jeito como foi aprovada pelos 300 picaretas da Câmara Federal. Os discursos parlamentares do partido enrolam, enrolam e não dizem o quê realmente querem. Não se sabe se os tucanos temem as ameaças de Mantega em apertar os parafusos ou querem uma negativa firme de Lula sobre a re-reeleição.
O amoralismo do PT-governo torna inconfiáveis suas promessas futuras. Não cumpriu acordos anteriores, entre outros, a aprovação da PEC paralela da reforma da Previdência. Do ponto de vista político, nem Renan acredita em Lula. Qualquer acordo feito com Sua Excelência deve ser feito com ele cedendo primeiro, porque deixar para depois é relegar o compromisso ao esquecimento. Por este raciocínio, o que ocorre é a capitulação do PSDB; os tucanos podem assumir a posição que quiserem. Sem precisar fingir que o fazem por negociação boa para o Brasil… (MS)
Comentários Recentes