O tiranete de província metido a Napoleão das próprias obsessões
Eis um momento mais do que inspirado do jornalista Reinaldo Azevedo:
Não houvesse outros motivos para cassar o mandato do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), bastaria este: ele ignora as conquistas da civilização. Não houvesse o senador Renan Calheiros quebrado o decoro de forma pertinaz, continuada, reiterada, ainda assim, deveria perder o mandato porque, nas suas mãos, sob pressão, a democracia logo degenera em pancadaria, em regime de exceção, em administração discricionária.
A agressão de que foram vítimas os deputados que tinham uma autorização judicial para assistir à sessão, em especial Raul Jungmann (PPS-PE), expõe o verdadeiro Renan Calheiros:o amigo do lobista; o homem das notas frias; o senador das vacas cujo estrume moral vale ouro; o político das articulações à socapa para ajudar empresa pendurada no Fisco (não sem compensações as mais explícitas). Renan tem de ser cassado porque é um tiranete de outro tempo. É um jagunço de terno. É um coronel de meia-tigela que se esconde atrás de seguranças que usam armas de choque contra deputados da República.
Renan é a degradação do Parlamento, o seu momento mais mesquinho. A lama. Renan é um contínuo dos seus delírios de poder. Não queremos mais ser um povo honrado governado por ladrões. E é por isso que o Senado vota hoje a cassação de quem não sabe honrar a democracia; e, antes de não ter sabido honrar a democracia, não soube honrar o seu mandato, degradado em suas relações espúrias com lobistas; e, antes de não ter sabido honrar o seu mandato, não soube honrar nem a sua família e, homem público que é, com a força do exemplo, desonrou também a família brasileira.
Renan é um tiranete de província metido a Napoleão das próprias obsessões. Vamos ver o resultado da votação. Sejam quantos forem os votos favoráveis a Renan Calheiros, será tarefa indeclinável da democracia descobrir os que com ele se alinharam. Para que sejam cassados — aí pelos eleitores.
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