Renan ganha, Senado perde

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Mesmo que seja absolvido pelos colegas na votação da quarta-feira, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), não terá grandes motivos para festejar: outros dois processos o esperam no Conselho de Ética da Casa, e um terceiro foi apresentado pelo PSOL à Mesa diretora. Eles prometem tirar-lhe o sossego e deixá-lo nas mãos de senadores adversários por mais um bom tempo. O longo teste de sobrevivência política que o espera é fruto de uma enxurrada de denúncias que, entre maio e a semana passada, atiraram Renan no pior momento de seus 30 anos de carreira – um inferno astral do qual ele jamais suspeitaria nos anos 70, quando era um animado líder estudantil em Maceió, ou nos 90, quando foi por algum tempo ministro da Justiça do governo Fernando Henrique.

Em resumo, se escapar na quarta-feira Renan entra na mira de outras três operações suspeitas. A primeira é a venda, muito acima do preço, de uma pequena fábrica de bebidas. A segunda, a compra não declarada de um jornal e duas emissoras de rádio. E a última, que pode ou não chegar ao conselho, o implica como suposto recebedor de propinas para ajudar o banco BMG a operar o crédito consignado sozinho, antes dos concorrentes.

Gabriel Manzano Filho, jornalista

OPINIÃO: A imensa carga de indícios e de provas materiais e testemunhais, não permite que alguém – principalmente um senador da República – ainda esteja em dúvidas quanto ao voto de quarta-feira. Ou está preso no garajau de chantagens de Renan ou manietado aos interesses do poder ou é pessoa de inteligência curta. Escreve bem o colega Manzano: se o presidente do Senado escapar pela covardia cúmplice dos colegas, o Senado deve fechar suas portas porque não tem mais razão de ser senão para julgar os ilícitos do seu presidente. MIRANDA SÁ

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