Constrangedora solidariedade aos réus
Recentemente, num tom exaltado de palanqueiro, o presidente da República pregou solidariedade do seu partido aos réus do escândalo do mensalão. Com um discurso feito para empolgar a platéia do 3º Congresso do PT, Lula passou a mão na cabeça dos petistas processados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por corrupção ativa e formação de quadrilha. Lula disse que o PT não tem do que se envergonhar e pediu a união do partido para enfrentar uma onda de “preconceitos” e até “ódio” de classe.
Autoproclamado o brasileiro “mais ético” entre todos os cidadãos brasileiros, o presidente Lula exaltou a ética do partido e a defesa dos companheiros: “Ninguém neste país tem mais autoridade moral e ética do que nosso partido.” E, num arrebatamento de humildade coletiva, completou: “Admitimos que tem gente igual a nós, mas não admitimos que tenha melhor.” Impressionante! Com seu comício partidário, chocante, mas estudado, o presidente da República acabou dando uma bofetada no STF.
Carlos Alberto Di Franco, diretor do Master em Jornalismo, professor de Ética e doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra (difranco@ceu.org.br)
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