“Comentários de Miranda Sá” hoje, n’O METROPOLITANO

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Ataques à liberdade de imprensa

No rescaldo do incêndio sectário do 3ª Congresso do PT, encontram-se os ataques à mídia com contundentes críticas aos jornais impressos, televisivos e radiofônicos. “Intelectuais orgânicos” e dirigentes partidários escoam idéias turvadas sobre a tese partidária de uma tal democracia direta – a democracia adjetivada dos que não têm coragem de investir contra a Democracia o regime da soberania popular com respeito a todas as tendências políticas, filosóficas e religiosas.

A reunião petista, favorecendo uma ambiência sócio-recreativa farta de aplausos, ouviu Lula da Silva apoiar os réus da organização criminosa feitas por decisão unânime do Supremo Tribunal Federal, e dele também ataques à liberdade de imprensa. Não foi surpresa porque normalmente o Presidente se queixa do noticiário jornalístico e apela para a divulgação de “notícias boas”, que para si seriam adulações e lisonjas ao PT-governo e a omissão de críticas à sua abominação pelo trabalho.

Os seguidores de Lula – alguns fanatizados pelo inegável carisma – não querem nem ouvir falar de jornalismo investigativo e de informações sobre a corrupção endêmica e epidêmica que revolta o povo em geral. Porque esta atividade jornalística lhes toca de perto, por isso não foi por acaso que o PT-governo já investiu algumas vezes em tentativas de controlar a imprensa e disciplinar os jornalistas.

Evidentemente o que a imprensa publica nada tem a ver com uma conjuração golpista das elites. Esta acusação tem o caráter exclusivo de justificar os desmandos de vários auxiliares de Lula, a preguiça de Sua Excelência no cumprimento das tarefas de Estado e seu alheamento do com as coisas que se passam à sua volta. Os antigos militantes do PT-partido sabem que a imprensa não tem partido, e muito se aproveitaram dela quando formavam a oposição.

Naqueles tempos de bravatas, o PT tinha nos veículos de comunicação canais sempre abertos para atacar, criticar e investigar os governos e os titulares de altos cargos republicanos. Os presidentes José Sarney e Fernando Collor, particularmente, padeceram de um tiroteio ininterrupto e até de exageros por parte das lideranças partidárias petistas; Lula da Silva, o líder maior, acusou Sarney de “ladrão” e Collor um “batedor de carteira da História”.

Os petistas acusaram Sarney de golpista – quando se discutia os cinco anos de mandato presidencial – e fizeram violentos insultos pessoais a Fernando Collor, mostrando-se singularmente eufóricos quando a imprensa descobriu as maracutaias do seu tesoureiro de campanha do então Presidente, passando a pedir o impeachment. O presidente Itamar Franco foi retratado pelos parlamentares petistas como um néscio, e Fernando Henrique como corrupto.

Porque esquecem hoje que a imprensa sempre lhes deu espaço para tudo isso? Sempre foram publicadas suas críticas, denúncias e até excessos tresloucados, como também foram divulgadas os programas, projetos e promessas mirabolantes hoje varridas para debaixo do tapete. É diante destas evidências que julgo obrigatória aos democratas autênticos, a defesa intransigente da liberdade de imprensa.

MIRANDA SÁ (mirandasa@uol.com.br)

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