Texto de Mauro Chaves
Vaias tinham outra causa
“Não, não foi nada disso que se disse. A classe média esfolada, o povão da arquibancada e mesmo a zelite supernumerada (apesar da recente confissão presidencial de que seu governo é para ela) até que podiam ter seus motivos para vaiar, conforme os diferentes graus de decepção com o chefe de Estado e governo. Mas lembre-se que o teflon presidencial ainda não estava riscado, não estava bem claro que o apagão aéreo era um apagão de governo e, sobretudo, ainda não tinha ocorrido a segunda tragédia, nem a acachapante ausência da condolência presidencial local, em razão da cirurgia para remoção de um simples terçol (sem que se explicasse por que não o usual tratamento clínico, com uma pomadinha de gentamicina ou de ciprofloxacino aplicada no hordéolo presidencial).
As vaias tinham outra causa e, para bem entendê-la, conviria lembrar as tentativas de capitalização da emoção esportiva nacional, começando pela exploração do que toca mais profundamente a alma brasileira: o futebol. Logo antes do início da última Copa o presidente fizera uma escalafobética videoconferência com a seleção, que deixou a todos – jogadores, treinador e Nação – profundamente constrangidos. A certa altura, ele disse: “Parreira, eu estou achando o Ronaldinho Gaúcho muito sério na hora de cobrar as faltas. Será que ele não pode sorrir antes das cobranças?” É claro que o técnico só poderia responder como o fez: “Quando vai cobrar faltas, ele fica concentrado. Por isso ele fica sério.” Antes o presidente já comparara o mesmo jogador – então considerado o melhor do mundo – a seu ministro Palocci. O ministro e a seleção deram no que deram.
Mauro Chaves, jornalista
OPINIÃO: “Que grande palhaço o circo perdeu!” …Se em vez de ido com a mãe para São Paulo, o menino Luis Inácio tivesse acompanhado um circo mambembe – daqueles heróicos artistas populares que resistem em levar diretamente ao povo a sua arte – o circo teria ganho um astro que quando se exibisse iluminaria o mundo (copyright para a filósofa Marilena Chauí). Multifacetado, ele seria acrobata, animador, comediante, ilusionista, imitador, intérprete, pelotiqueiro, saltimbanco, enfim, um artista na acepção da palavra, “um homem que sabe fingir”. MIRANDA SÁ
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