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A China pode ascender pacificamente

 

Ascensão de potências costuma trazer risco de guerra, mas Ash aponta caminhos sem conflito

De Timothy Garton Ash:

Para marcar o 30º aniversário do início das reformas econômicas promovidas por Deng Xiaoping, volto à questão da ascensão pacífica da China. Começo com o possível desfecho ruim.

Quando grandes potências ascendem e entram em declínio, há um risco maior de ocorrer uma guerra. Essa proposição não implica um prejulgamento da cultura chinesa, ela apenas reflete um padrão histórico. A guerra pode não ser iniciada pela potência em ascensão, mas pela potência em declínio, e pode até ser contra um terceiro. A transferência hegemônica da Grã-Bretanha para os EUA deu-se enquanto ambos combatiam a Alemanha nazista.

É esse o risco no longo prazo: uma guerra. Mas a oportunidade no longo prazo é igualmente grande. Imagine um quinto da humanidade organizado num único Estado, próspero e moderno, desempenhando um papel construtivo no sistema internacional e enfrentando os desafios transnacionais, como o aquecimento global, que nos ameaçam a todos.

Há algo que precisa ficar claro. O que vai acontecer com a China, se ela prosseguirá em sua ascensão e de que maneira, é algo que depende sobretudo dos chineses – seja do ponto de vista legal, já que a China é um país soberano, do ponto de vista moral, já que os povos têm o direito de moldar seu destino, ou do ponto de vista prático, já que é limitada a capacidade de alguma força influenciar a evolução de um país tão grande e tão restrito às próprias referências.

* Timothy Garton Ash é professor de Estudos Europeus na Universidade Oxford

Leia o artigo completo em O Estado de S.Paulo: A China pode ascender pacificamente

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