Tarja preta

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As celebridades não podem mais anunciar remédios. É uma medida do governo popular para proteger o consumidor inocente. Vai que o Kaká aparece na TV mandando beber água sanitária… Melhor prevenir.

 

A legislação detalhista dos amigos do povo determina que a propaganda informe sobre os males causados pelo produto. É como se, quando anunciar um lançamento imobiliário na Barra da Tijuca, Fernanda Montenegro devesse avisar que na porta passa um canal cheio de esgoto.

 

Talvez fosse interessante estender a regra à propaganda política – formal e informal. Quando Lula dissesse que a crise será só uma marola no Brasil, seria obrigado a explicar que aquilo eram palavras para melhorar o astral. Um placebo, sem contra-indicação.

 

Se a lei é boa para os remédios, por que não estendê-la a outras substâncias potencialmente danosas? Juliana Paes não poderia mais aparecer na TV anunciando “a boa”, porque como ela é boa (a atriz, não necessariamente a cerveja), poderia induzir o pobre do consumidor a achar que a bebida será boa para ele – ou até, quem sabe, que lhe traria um peixão do quilate de Juliana.

 

Os burocratas do governo popular ainda vão decidir que só mulher feia pode gravar propaganda de cerveja.

 

A decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária ainda proíbe o uso de verbos no imperativo (use, tome, compre etc). Entenderam a sutileza? Na cabeça dessa turma, a consciência do povo varia conforme o tempo verbal.

 

Nunca se viu tanto apreço pela liberdade.

 

Fonte: Guilherme Fiúza

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