Era da incerteza

Comentários desativados em Era da incerteza
Compartilhar

A crise tirou a previsibilidade das empresas. O mais difícil de prever não é o médio ou o longo prazos, mas o futuro imediato. O primeiro trimestre de 2009 é uma incógnita para a maioria das empresas. O câmbio é um fator perturbador, não porque sobe, mas pelos saltos que dá dentro de um mesmo dia. Os fatos confirmam os pessimistas. Agora, os emergentes vão perdendo força.

 

Hoje, qualquer cenário é considerado possível para o câmbio. O Banco Central tem sido errático e isso realimenta essa instabilidade. Emprestar reservas para as empresas através dos bancos — os empréstimos não deixarão de constar nas reservas — não resolve a situação. Melhor é entender o círculo vicioso em que o câmbio está, e atuar para desfazê-lo.

 

O episódio dos derivativos não está ainda resolvido. A crise provocada pelos prejuízos de grandes empresas, que fizeram contratos futuros apostando na manutenção do dólar baixo, ainda afeta inúmeras empresas e realimenta o clima de desconfiança em relação a elas. Quando surgiu, calculava-se que o prejuízo global seria de US$ 40 bilhões. Os casos mais conhecidos foram equacionados. Hoje, mais da metade do volume pode já estar resolvido através de liquidação de posições, mas a maioria das empresas, de porte médio, permanece sob o fio da navalha.

 

É mais complexo do que parece. As empresas que fizeram adiantamento de câmbio antes da crise e que cobriram os riscos através de mecanismos de hedge, apostando em manutenção do dólar baixo, de repente foram apanhadas no contrapé, tendo que cobrir o prejuízo de suas posições. Essa história já se conhece. Mas o que pouca gente se dá conta, diz um diretor de uma instituição ativa no mercado cambial, é que essas empresas terão ganhos quando realizarem suas operações de exportação, porque receberão um dólar mais valorizado.

Leia aqui na íntegra o artigo de Míriam Leitão no Panorama Econômico

Os comentários estão fechados.